Em 1826 com a entrada da regência de D. Maria em nome de D. Pedro IV foi nomeado Lente Substituto da Faculdade de Leis. E ainda neste ano foi eleito Deputado tendo-se revelado um excelente orador. Com o regresso de D. Miguel em 1928 ficou novamente sem funções, quer nas Cortes, quer na docência e teve de emigrar para Londres. De Londres veio em auxílio de D. Pedro e da causa liberal, desembarcando na Ilha Terceira – Açores e daqui desembarcou no Mindelo participando no Cerco do Porto. Ainda nesta sequência foi nomeado Juiz do Tribunal de Guerra e Justiça. Entre a liderança do Governo por três vezes (1841-1842; 1860; 1865-1867) teve as seguintes funções, entre outras: Procurador-Geral da Coroa, Ministro do Reino, Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Justiça, Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, Par do Reino, Provedor da Santa Casa da Misericórdia e Deputado às Cortes.
Foi um reformador nato. Contribuiu para a extinção das Ordens religiosas (1834) e para a reorganização dos municípios. Em 1865 chefiava pela terceira vez o Governo até que o movimento da Janeirinha (inícios de Janeiro de 1868) foi o principal causador do seu afastamento. A historiografia mostra que Aguiar foi um Homem que não ligava à importância dos altos cargos e às condecorações que lhe foram atribuídas. Mas mostra também um sinal indelével em relação aos privilégios e cerceamento de liberdades do clero. Sinal este que nos parece excessivo no que toca aos méritos ou deméritos (conforme as perspectivas) atribuídos a um Homem só. Foi um dos que mais contribuiu, juntamente com o Marquês de Palmela para a implementação da Carta Constitucional portuguesa no tempo de D. Pedro IV e D. Maria II. Personalidade inteligente, deixando-se, porém, influenciar em demasia pelo anti-clericalismo impulsionado pelos ideais da Confederação Maçónica Portuguesa em que se destacaram os Grão-Mestres – Duque de Palmela e José Estêvão, bem como muitas outras figuras tendo, Aguiar dado a cara, servindo de certo modo de “bode expiatório” dos excessos cometidos contra o clero.
Quando em 1834 era Ministro dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça foi um dos principais responsáveis pela Lei que extinguiu os conventos, mosteiros, colégios e casas das ordens religiosas regulares, sendo os bens integrados no Estado, ou seja, na fazenda Nacional. Ainda como Ministro dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça ganhou a fama de “mata frades”, o que lhe deixou o estigma negativo de anticlerical “mata-frades” como ainda é conhecido e que tem desvalorizado a importância da revolução social e económica em que Aguiar foi figura importante ao tempo do liberalismo e do movimento de regeneração do país. O sistema político liberal (cujo conceito de liberal é diferente do actual) estava montado ao nível de Estado e se não fosse Aguiar a assumir a responsabilidade das políticas anti-clericais, certamente outra figura se perfilaria. Veja-se o que aconteceu mais tarde já no século XX na altura da primeira República em que esta política foi prosseguida. Estas medidas mexeram com o status quo social e económico provocando animosidades e exacerbamentos. Aguiar foi apenas mais uma figura, embora das mais responsáveis certamente, no contexto temporal das revoluções liberais e das políticas subsequentes.
Num dos seus últimos governos (4 Setembro de 1865 – 4 Janeiro 1868) foi o principal responsável pela fusão dos regeneradores e dos progressistas, o que trouxe uma certa acalmia e as condições: para a abolição da pena de morte em relação a crimes civis e para a promulgação do Código Civil Português (1 Julho 1867) que se seguiu às velhas Ordenações Filipinas. Também criou as condições para o relançamento económico e para um ambiente de criatividade no campo da cultura. São exemplos: a fundação do Banco Nacional Ultramarino, a Companhia União Fabril, o Banco Agrícola e Industrial Visiense e a representação portuguesa na Exposição Internacional de Paris. Neste período publicou Antero as “Odes Modernas” e pôde dar início à célebre Questão Coimbrã. Oliveira Martins editou “Febo Moniz” e Júlio Dinis publicou “As Pupilas do Senhor Reitor”.
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