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segunda-feira, 5 de Julho de 2010

A 5 de Julho de 1975, deu-se a independência de Cabo Verde

História
O conhecimento destas ilhas é provavelmente anterior à fixação no arquipélago dos portugueses. O seu achamento deu-se no século XV, quanto aos seus efectivos descobridores existe alguma polémica. As primeiras ilhas a serem descobertas foram provavelmente a de Santiago, Maio, Boavista e Sal, em 1460, pelo veneziano Cadamosto no decurso da segunda viagem ao longo  da costa ocidental de África ao serviço de Portugal. As ilhas de Brava, São Nicolau, São Vicente, Rasa, Branca, Santa Luzia e Santo Antão terão sido descobertas, em 1462, por Diogo Afonso. 
A colonização começou logo após a sua descoberta, sendo as primeiras ilhas  serem povoadas as de Santiago e Fogo. Para incentivar a colonização a corte portuguesa estabeleceu uma carta de privilégio aos moradores de Santiago do comércio de escravos na Costa da Guiné.Foi estabelecida uma feitoria em Ribeira Grande (ilha de Santo Antão), ponto de escala para os navios portugueses.  
Cabo Verde tinha então uma situação estratégica fundamental, não apenas para a exploração da costa africana e do caminho marítimo para a India, mas também para o trafego de escravos, o qual conhece entre os séculos XVI e finais do século XIX um grande incremento para as américas (Portugal, Espanha, Brasil, Indias Ocidentais, EUA, etc). 
No final do século XV, Cabo Verde produzia cereais (milho), fruta e legumes, algodão, anil, gado (vacas, cavalos e burros).Estava em franca expansão a apanha e comercialização da Urzela e do sal.
O Porto de Ribeira Brava é no século XVI um verdadeiro mercado internacional de escravos e com menor importância destacavam-se o da Praia.
 A situação económica do arquipélago agrava-se contudo durante a dominação filipina de Portugal (1580-1640), nomeadamente devido aos ataques dos piratas  Ingleses, Holandeses e Franceses. Estes ataques prolongaram-se até ao princípio do século XVIII.
Na segunda metade do século XVII, termina a época dos arrendatários individuais no comércio de escravos. Em 1664 é fundada a Companhia Porto de Palmida, com capitais portugueses e franceses.
No século XVIII os portos de Cabo Verde, voltam a adquirir uma de enorme importância para as navegações de longo curso que cruzam esta zona do Atlântico. A caça à baleia, a partir do final do século contribui para reanimar os seus portos.
Marques de Pombal, em 1757, confia a administração destas ilhas à Companhia do Grã Pará e Maranhão, numa experiência que dura vinte anos. Mais uma vez, o que está em jogo é o comércio de escravos. 
A aridez do território e a extrema irregularidade do clima tornaram-se um sério obstáculo ao desenvolvimento da agricultura. Entre as culturas que são introduzidas, destaca-se a do cultivo do café em 1790, primeiro na ilha de S. Vicente e depois nas restantes. Os resultados nunca se revelaram contudo muito auspiciosos. 
Apesar dos acordos entre Portugal e a Inglaterra para a proibição do tráfico de escravos em Bissau e Cacheu (1810), e depois a sua interdição a norte do equador (1815), não terminam com este comércio na região. Muito pelo contrário assistiu-se mesmo ao seu incremento, embora feito de uma forma clandestina. Barcos espanhóis, franceses, brasileiros, ingleses, etc, escalavam dos portos de Cabo Verde cheios de escravos para o Brasil, EUA, Cuba e outras lugares com bandeiras portuguesas. 
O fim efectivo do comércio de escravos, no último quartel do século XIX,  provoca uma profunda crise nas ilhas. O desenvolvimento de plantações, acaba por ter efeitos devastadores no ambiente: a destruição de enormes manchas florestais para dar origem a explorações agrícolas agravam as condições de climatéricas em períodos de seca.A emigração torna-se no principal recurso para a sobrevivência da população a partir de meados do século XIX..  
A posição estratégica de Cabo Verde, torna-se um ponto de escala obrigatório para os navios que se deslocam de e para o atlântico sul. Devido a esse facto foram então feitos importantes importantes investimentos no arquipélago. Entre os mais significativos destaca-se a colocação de faróis, e sobretudo a reconstrução do Porto Grande do Mindelo (Ilha de S.Vicente), para o abastecimento dos navios de carvão e óleos ( Wilson & Companhy, em 1885). A actividade portuária acabou por se tornar numa significativa fonte de receitas do arquipélago. 
Nesta época foram também amarrados de cabos submarinos (Western Telegraph Company, em 1874), ligando Cabo Verde (Praia da Matiota em S. Vicente) à Madeira e depois ao Brasil. Em 1886 Cabo Verde ficou ligada a África e Europa através de cabo submarino.  
Secas prolongadas e epidemias continuaram a provocar milhares de mortes e uma enorme emigração. A partir de 1880, estes emigrantes constituem já importantes comunidades permanentes nos portos baleiros dos EUA, como New Bedford, Providence, Nova Inglaterra, etc.     
Em finais do século XIX, dezenas de milhares de Cabo-verdianos começaram a ser compelidos ao trabalho forçado nas plantações de São Tomé e Princípe. Entre 1900 e 1922, por exemplo, foram enviados para as plantações de São Tomé 23.978 Cabo-verdianos, pratica que se prolongou até 1974.
Nas primeiras décadas do século XX, Cabo Verde, conhece um singular desenvolvimento cultural e educativo, o que contrastava com a sua pobreza económica.
Em finais dos anos trinta do século XX, Cabo Verde, é dotada de um importante aeroporto, modernizado nos anos sessenta. 
A luta pela independência eclode em 1964 na Guiné, conduzida por Amilcar Cabral pretende construir uma pátria comum com a Guiné. A economia Cabo-verdiana manteve-se ao longo de décadas deficitária, apesar da protecção que gozam os seus produtos em Portugal.
O derrube da ditadura em Portugal, a 25 de Abril de 1974, precipitou a Independência de Cabo Verde e da Guiné-Bissau. No dia 26 de Agosto de 1974, em Londres e depois em Argel, o governo português reconhece o Estado da Guiné-Bissau, assim como o direito de Cabo Verde à Independência. O PAIGC é também reconhecido como o único e legítimo representante dos povos da Guiné-Bissau e de Cabo Verde.
Em Cabo Verde é constituído um Governo de transição, composto por cabo-verdianos e portugueses. A 30 de Junho de 1975 foi eleita uma Assembleia constituinte,  composta por 56 deputados e 72 suplentes, com a participação de 84% dos eleitores. A lista única proposta pelo PAIGC recebeu 92% dos sufrágios expressos. 
Esta Assembleia proclamou a Independência da República de Cabo Verde a 5 de Julho de 1975 e promulgou uma lei sobre a Organização Política do Estado que funcionou como uma  Constituição até a aprovação desta na IX sessão legislativa de 5 de Setembro de 1980. 
O Presidente da República foi eleito e alguns dias depois formou o primeiro Governo do Estado de Cabo Verde, dirigido por um Primeiro Ministro.
A unificação com a Guiné é abandonada em 1980, na sequência de um golpe de estado. O PAIGC dá lugar ao PAICV, restringido na sua acção a Cabo Verde.
Cabo Verde passou depois de 1975 a ser governado em regime de Partido único, segundo um modelo de inspiração marxista. Dadas as dificuldades económicas procurou seguir uma escrupulosa política de não alinhamento por nenhum dos blocos políticos em que o mundo se dividia. Algumas políticas pouco adequadas agravaram contudo, nos anos oitenta, os problemas do país. 
Em 1991, foi finalmente estabelecido um regime democrático. Em Janeiro deste ano, nas primeiras eleições livres do país, Aristídes Pereira foi afastado da presidência e o PAICV saíu claramente derrotado nas eleições para a Assembleia Nacional. O novo presidente, António Mascarenhas Monteiro, antigo juíz do Supremo Tribunal, dirigia o principal partido da Oposição, o MPD (Movimento para a Democracia).    
Apesar das enormes dificuldades, Cabo Verde apresenta hoje um panorama económico e social bastante promissor.

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