quinta-feira, 18 de junho de 2015

A 18 de Junho de 2009 - Morre Carlos Candal, fundador do PS, deputado na Assembleia Constituinte e na Assembleia da República, em diversas legislaturas, deputado no Parlamento Europeu, um dos líderes da crise académica de Coimbra, em 1969, 71 anos.


Carlos Manuel Natividade da Costa Candal nasceu em Aveiro a 1 de Junho de 1938 e faleceu em Coimbra a 18 de Junho de 2009. Advogado e político.
Aveirense, republicano e socialista, na sua própria definição, Carlos Candal licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, com o Curso Complementar de Ciências Político-Económicas.
Eleito Presidente da Associação Académica de Coimbra em 1961, participou activamente nas lutas estudantis, manifestando-se veementemente contra a ditadura e a repressão.
Cumpriu serviço militar em Timor, onde exerceu funções de Promotor de Justiça do Tribunal Militar Territorial. Advogado em Aveiro, era conhecido pela sua eloquência nos tribunais e pelo modo empenhado como assumia as causas que defendia. Foi um dos principais organizadores do II e III Congressos da Oposição Democrática, em Aveiro (1969 e 1973). Participou na fundação do Partido Socialista, em 1973.
Após o 25 de Abril foi deputado pelo PS à Assembleia Constituinte, mantendo-se na bancada socialista da Assembleia da República até 1983. Dois anos mais tarde regressou ao Parlamento, exercendo as funções de deputado por mais dez anos, intervindo frequentemente e nunca se esquivando à polémica.
Lutador em favor da causa do povo de Timor- Leste e dos direitos e liberdades de outros povos oprimidos, integrou várias instituições nacionais e internacionais.
Em 1995, foi distinguido como Grande Oficial da Ordem da Liberdade.
Eleito Presidente da Assembleia Municipal de Aveiro durante dois mandatos (1997-2005), foi igualmente eleito em 1995 Deputado ao Parlamento Europeu, onde se manteve até 2004. É na campanha eleitoral de 1995 que Carlos Candal escreve o Manifesto anti-Portas em Português Suave: O Portas é um democrata precário: por falta de formação ou informação, por carência de convicções ou por incoerência, rejeita a aplicabilidade universal da regra 'um homem-um voto' - verdadeiro axioma da Democracia essencial. Assim sendo, não me admiraria nada que o Dr. Portas resvalasse a curto prazo para a defesa de soluções autoritárias para a governação dos portugueses, que (no seu entender) revelam "uma estranha tendência para o precipício.
Faleceu durante uma acção de pré-campanha eleitoral do Partido Socialista, de que era mandatário distrital, em 2009. Após ter desmaiado, não deixou de acrescentar "Desculpem lá ter-vos estragado isto. Hoje não fumo mais".