sexta-feira, 19 de junho de 2015

A 19 de Junho de 1584 -- Morre o arquiteto, pintor e escritor Francisco da Holanda, antigo bolseiro em Roma, discípulo de Miguel Ângelo, autor da "Fábrica que Falece à Cidade de Lisboa", primeira proposta de ordenamento da capital portuguesa.



Francisco de Holanda, nascido em Lisboa em 1517 e falecido na mesma cidade em 1585, foi uma das maiores figuras do Renascimento português. Foi um notável artista plástico, filósofo, ensaísta, arquiteto, etc. Em Itália, chegou a trabalhar com Miguel Ângelo, de quem se considerava discípulo.
Além de ser dotado de uma enorme sensibilidade artística, Francisco de Holanda tinha também um espírito racional e prático, como se pode atestar na sua obra intitulada Da Fábrica que Falece à Cidade de Lisboa (o que em português moderno quer dizer, mais ou menos, "Do Ordenamento que Falta à Cidade de Lisboa"), que foi o primeiro ensaio de urbanismo publicado na Península Ibérica.
Como pintor e desenhador, Francisco de Holanda insere-se mais na escola do Maneirismo do que na do Renascimento. Isto é por demais eloquente num seu magnífico e iconoclasta desenho, que ele fez para o seu livro "De Aetatibus Mundi Imagines", no qual os deuses gregos do amor, Afrodite e Eros, aparecem representados como cadáveres putrefactos. Ora uma representação assim nunca passaria, sequer, pela cabeça de um artista do Renascimento propriamente dito. Afrodite apareceria sempre como uma mulher jovem, de corpo belo e sensual, e Eros como um menino rechonchudo e cheio de vida.
Quase nada existe em Portugal da obra deixada pelo português Francisco de Holanda. Durante os 60 anos em que durou a dominação espanhola sobre Portugal, muitas preciosidades deste país foram levadas para Espanha. A maior parte dos originais de Francisco de Holanda também. É em Espanha que eles estão, não em Portugal.