segunda-feira, 22 de junho de 2015

A 22 de Junho de 1660 - Morre o embaixador Francisco de Sousa Coutinho, o primeiro diplomata português de carreira.



Francisco de Sousa Coutinho foi o principal Embaixador de D. João IV. Colocado no poder pela Restauração da Independência, o Rei tinha necessidade de se afirmar perante as potências europeias, nomeadamente a França e a Holanda. Tinha ainda que ganhar a guerra da Restauração contra a Espanha e conseguir o reconhecimento da Santa Sé, tarefa que exigia um grande tacto diplomático.
Francisco de Sousa Coutinho era um antigo conhecimento de D. João IV. Desde 1623, representara a Casa de Bragança em Madrid, junto da Corte dos Filipes, com o título de “regedor”. Foi ele que negociou o casamento de D. João com D. Luisa de Gusmão em 1632, casamento depois celebrado em 12 de Janeiro de 1633. Foi por isso de toda a lógica que, assumido o poder, o Rei escolhesse Sousa Coutinho como seu Embaixador; deu-lhe poderes acrescidos, de primeiro entre iguais, e atribuiu-lhe o título de Embaixador extraordinário às partes setentrionais.
Francisco de Sousa Coutinho nascera em 1597 nos Açores, na Ilha de S. Miguel, filho de Gonçalo Vaz Coutinho, Governador de Angola e dos Açores e de Maria Jerónima de Morais. Teve um tio paterno célebre, Manuel de Sousa Coutinho (1555-1632), que, depois ingressou na vida religiosa, ficando conhecido como o escritor Frei Luis de Sousa.
Casou em Madrid com Maria de Herédia y Aguila, de quem teve uma única filha, Joana Teresa Coutinho, que casou em primeiras núpcias com Diogo Fernandes de Almeida, Alcaide mor de Santarém e Golegã, de quem teve dois filhos, e em segundas com Francisco de Contreras, de quem não teve descendência.
Não frequentou a Universidade, mas foi educado em casa, pois escrevia e podia exprimir-se em Latim. Mais tarde, quando partiu para a Suécia, aprendeu Francês e, quando foi mandado para Roma, aprendeu Italiano.
Não foi um literato, mas deixou centenas de longas cartas, das quais muitas permanecem em manuscritos e que são do maior interesse para a história daquela época.