terça-feira, 16 de junho de 2015

MURAL DA SEDE NACIONAL DO PCP





Em 1978, o Partido Comunista Português transferiu a sua Sede Nacional para a Rua Soeiro Pereira Gomes, em Lisboa. O prédio tinha sido concebido para habitação e teve que sofrer várias adaptações para o fim a que se destinava.

Assim, surgiu a necessidade de preencher um espaço nobre do edifício, projectado para receber lojas, de forma a criar uma unidade de espaço. O PCP, que sempre teve uma postura de incentivo às artes plásticas e aos artistas, decidiu colocar naquele lugar um painel mural em cerâmica que é, até hoje, a maior obra colectiva deste género existente em Portugal.
O painel contou com a colaboração de 39 artistas, na sua maioria militantes e simpatizantes do Partido. Realizado na Fábrica Viúva Lamego, local prestigiado que em muito contribuiu para o desenvolvimento da actividade cerâmica em Portugal e ponto de apoio e incentivo de muitos ceramistas portugueses, como é o caso de Jorge Barradas, Querubim Lapa, Cargaleiro e Cecília de Sousa, teve a coordenação a cargo de Rogério Ribeiro - que na altura aí trabalhava -- tendo também participado como artista e como executante dos trabalhos apresentados pelos outros artistas, que lhe entregavam os desenhos nos cartões para ele realizar em azulejo. Também colaborou na execução Querubim Lapa, que tinha uma formação cerâmica específica, conhecendo bem as técnicas de fabrico e montagem. A execução foi feita em 1978, mas os artistas estavam já a trabalhar neste projecto desde finais de 1976.
Os materiais utilizados foram o azulejo industrial, a ardósia, o cimento moldado, o betão, o azulejo cerâmico, a pedra, a tijoleira e o mosaico. O painel está dividido em duas partes, estando a separá-las a porta de acesso ao edifício. As dimensões são: 16,35m x 2,27m e 13,10m x 2,27m. Dos trinta e nove projectos, nove são de escultura, sendo os restantes de pintura.
Designou-se 1m2 como área de trabalho para cada artista. Um problema que se colocou quando começaram a surgir os projectos foi a questão da escala. Houve projectos que tiveram que ser alterados (aproveitando-se apenas uma parte, puxando o desenho para a escala determinada), de forma a que se mantivesse a harmonização do painel.
Ao contrário de outras obras colectivas, como por exemplo, o painel executado a 10 de Junho de 1974, em Belém, esta revela uma harmonia na sua composição que contribui para a unidade do conjunto. Esta unidade foi conseguida pela perícia de Rogério Ribeiro que, utilizando restos de azulejo industrial, criou um conjunto de linhas diagonais ascendentes que faziam a ligação entre os diversos projectos, dando-lhe o tal carácter uniforme. Assim, dá-se uma fusão entre os trabalhos dos diversos artistas, quase não se percebendo onde acaba um e começa o outro -- um espírito verdadeiramente colectivo.