sábado, 4 de julho de 2015

A 4 de Julho de 1908 -- Nasce o poeta e ensaísta Adolfo Casaes Monteiro.



Adolfo Victor Casais Monteiro nasceu no dia 4 de Julho de 1908, na cidade do Porto, freguesia de Massarelos. Filho de Adolfo de Paiva Monteiro e de Victorina de Sousa Casais Monteiro, recebeu uma educação laica que privilegiou os valores da cultura e da intelectualidade, típicos do seu estrato social.
Cinco anos após a implantação da República, Casais Monteiro frequentou, na mesma cidade, o segundo grau do ensino primário no Colégio Almeida Garrett e iniciou os estudos liceais no Liceu Rodrigues de Freitas, ambos no Porto. Em meados dos anos 20, aquando da implantação da ditadura militar, ingressou na Faculdade de Letras da Universidade do Porto para frequentar o curso de Ciências Históricas e Geográficas, acabando por concluir o curso de Ciências Históricas e Filosóficas em 1933.
Nos seus tempos de frequência universitária, no Porto, a acção literária de Casais Monteiro começou a destacar-se quando entrou para a direcção da revista Águia, o que sucedeu no mesmo ano em que publicou a sua primeira poesia, Confusão (1929). Reforçou, então, os laços de amizade com Leonardo Coimbra, de quem recebeu influência. Neste período, iniciou a sua acção política no movimento Renovação Democrática, na secção redactorial. Ao longo da sua vida, fez valer as suas convicções, tornando-se um opositor ao regime do Estado Novo, implantado em 1933, tendo sido detido por diversas vezes.
Em 1931 entrou para a direcção da revista de análise artística e crítica Presença, onde os seus escritos ganharam notoriedade. Até 1940, dirigiu a revista com Gaspar Simões e José Régio, abandonando-a, por essa altura, por dissenções internas que levariam, pouco depois, ao encerramento da revista. Cursou Ciências Pedagógicas em Coimbra, em 1934, realizou Exame de Estado no Liceu Normal, última fase da sua formação pedagógica, e ingressou no Liceu D. Manuel II (anteriormente, Liceu Rodrigues de Freitas, no Porto) como professor. No mesmo ano, casou com Alice Pereira Gomes, irmã de Soeiro Pereira Gomes, de quem viria a separar-se já depois da sua partida para o Brasil. Como aconteceu a muitos intelectuais, opositores ao regime do Estado Novo, Casais Monteiro foi perseguido pelas suas posições políticas, tendo sido afastado compulsivamente do ensino em 1936. Em 1954, viu-se forçado a partir para o exílio, no Brasil.
A sua actividade literária estendeu-se à poesia, ao ensaio, à teorização, ao romance e à crítica. Em 1933, saíram a público as obras Considerações Pessoais (de crítica ensaística) eCorrespondência em Família, em colaboração com o poeta brasileiro Ribeiro Couto. Na década de 40, publicou várias obras de cariz essencialmente poético, destacando-se Canto da Nossa Agonia(1942) e Europa (1946).
Em 1945, participou no MUD (Movimento de Unidade Democrática) e no ano seguinte colaborou no semanário Mundo Literário. Durante o mesmo ano, publicou o seu primeiro romance:Adolescentes. Colaborou, igualmente, em diversas revistas e jornais como a Seara Nova, O Diabo,Animatógrafo. Fez crítica não só literária como de outras áreas (cinema e teatro, por exemplo).
Antes de partir para o Brasil, em 1954, em busca da liberdade de acção que não tinha em Portugal, participou na organização de antologias poéticas e em obras de homenagem a autores brasileiros e estrangeiros.
Após ter emigrado, o seu carácter suavizou do ponto de vista do trato pessoal. Dirigiu cursos sobre temas que lhe interessavam, como a literatura, mas também sobre o romance. No entanto, foi na crítica que Casais mais se destacou. Em 1962, fixou-se em Araraquara, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras local, Estado de São Paulo.
Na companhia do filho mas não da esposa de quem, entretanto, se tinha separado, permaneceu activo do ponto de vista da produção literária e da colaboração em periódicos como O Globo,Estado de São Paulo ou Portugal Democrático.
Esteve um semestre em Madison, E.U.A., em substituição de Jorge de Sena, seu amigo, como docente. Sendo maior a sua influência no Brasil, publicou, em 1969, a obra Poesias Completas que contém O Estrangeiro Definitivo, que, por sua vez, consagrou a acção literária do autor. Postumamente, em 1984, foi publicada a sua tese de livre docência, intitulada Estrutura e Autenticidade na Teoria e na Crítica Literárias.
Sem que tivesse voltado a Portugal, veio a falecer devido a problemas cardíacos, na sua residência, próxima da do seu filho, em São Paulo, no dia 24 de Julho de 1972.