sábado, 4 de julho de 2015

A 4 de Julho de 2003 - Morre o escritor, professor e jornalista português Augusto Abelaira, 77 anos, autor de "Cidade das Flores", antigo diretor de programas da RTP e ex-diretor das revistas Vida Mundial e Seara Nova.

Augusto José de Freitas Abelaira foi um professor, romancista, dramaturgo, tradutor e jornalista português.
 Nascido a 18 de março de 1926, em Ançã, Cantanhede, e falecido a 4 de julho de 2003, em Lisboa. Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Lisboa, foi diretor de programas da RTP e presidente da Associação Portuguesa de Escritores, tendo ainda desenvolvido atividade como tradutor e sido diretor das revistas Seara Nova e Vida Mundial.
Estreou-se literariamente com A Cidade das Flores (1959), onde traça o perfil de uma certa juventude portuguesa do após-guerra.
Autor situado numa segunda geração neorrealista, incutiu ao romance de intenção social uma dimensão de auto-crítica geracional, complexificando os processos de representação da realidade, através da subversão de qualquer linearidade temporal e de uma técnica de montagem de diálogos e de fluxos de consciência. Foi reconhecido com o Prémio Ricardo Malheiros, atribuído a As Boas Intenções (retrato da pequena burguesia citadina), e marcou a novelística do início da segunda metade do século XX, publicando durante a década de sessenta uma série de narrativas a que subjaz uma profunda reflexão sobre a condição do homem moderno, ceticamente consciente da falacidade de todos os seus atos, e sobre os instrumentos da escrita, a linguagem e o permanente questionamento da relação entre o que se quer dizer e o modo de o dizer. Nesta medida, os seus romances, prescindindo de intriga e partindo frequentemente da problematização de uma relação amorosa, assumem-se cada vez mais como um palco de possibilidades e impossibilidades, encontros e desencontros do homem consigo mesmo e com o outro, numa espécie de "jogo de espelhos com imagens virtuais ad infinitum" (cf. Óscar Lopes, cit. in Bolor, Lisboa, 3ª ed., Bertrand, 1974). Romances como Outrora Agora, já dos anos 90, reafirmam o nome de Augusto Abelaira como o de um romancista que impõe ao leitor um pacto de desconfiança relativamente a tudo o que lhe pudesse ser dado como adquirido (a história, as palavras, o tempo), numa técnica romanesca que simula a simultaneidade entre o momento da escrita e o momento da narração, vazando num presente absoluto todos os factos hipotéticos do passado e do futuro. Aquela obra valeu-lhe o Grande Prémio de Romance e Novela, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores em 1997.
Destacam-se também da sua bibliografia: Sem Teto entre Ruínas, que lhe granjeou o Prémio Cidade de Lisboa em 1979 e Deste Modo ou Daquele (1990).
Augusto Abelaira faleceu a 4 de julho de 2003, em Lisboa, vítima de doença prolongada.