terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A 08 de Dezembro de 1720 - D. João V criou a Real Academia da História



A Real Academia de História, criada por D. João V, por Decreto de 8 de Dezembro de 1720, surgiu na sequência da criação de Academias Régias na Europa, ao longo do século XVIII. Tinha como objectivo escrever a história de Portugal e conquistas. Os seus estatutos foram confirmados por decreto de 4 de Janeiro de 1721. Compunha-se de 50 sócios: 40 da Academia de Anónimos e das Conferências Discretas e 10 escolhidos pelo Rei. Foi inicialmente instalada no palácio dos Duques de Bragança, tendo sido dotada da prestação anual de 1.000$00 reis, pelo Decreto de 6 de Janeiro de 1721. Por da Carta régia de 11 de Janeiro e pelos Avisos de 16 e 18 de Março do mesmo ano, foi - lhe facilitado acesso e a cópia de documentos de todos os cartórios e arquivos do reino. Cabia-lhe, também, tomar as medidas necessárias à conservação dos monumentos, sobre o que existe um Decreto, publicado em 14 de Agosto de 1721, proibindo a demolição de monumentos, estátuas e mármores, protegendo as medalhas e moedas antigas e atribuindo às Câmaras a incumbência de conservar e preservar as antiguidades já existentes e a descobrir. O Decreto de 29 de Abril de 1722 isentou a Academia de licença do Desembargo do Paço para a impressão de todas as obras de académicos, que só deviam ser submetidas ao exame dos quatro censores da Academia. O Alvará de 8 de Abril de 1724 determinou que os oficiais da reformação do Real Arquivo se ocupassem na elaboração de cópias para a Academia e, o de 19 de Outubro de 1725, autorizou que aqueles oficiais que houvessem sido despedidos pelo guarda-mor continuassem, durante mais um ano, a elaborar as referidas cópias. Tal situação foi, sucessivamente, prolongada por mais um ano pelos Alvarás de 2 de Outubro de 1726 e de 30 de Outubro de 1727. Graças ao apoio financeiro recebido, pôde contar com os oficiais necessários à montagem do instrumental para impressão de livros. Em 1727 saiu o primeiro volume da História da Academia. Para além da impressão de obras raras, publicou, anualmente, a Colecção de Documentos e Memórias, de 1721 a 1736, que disponibilizaram importante informação sobre os institutos religiosos. Procedeu, ainda, à publicação das obras dos seus sócios, entre as quais a História Genealógica da Casa Real Portuguesa, de D. António Caetano de Sousa, e as respectivas Provas (1735-1748); Memórias sobre D. Sebastião (1736-1751); Biblioteca Lusitana, de Diogo Barbosa Machado (1741-1759); Notícias Cronológicas da Universidade de Coimbra, de Francisco Leitão Ferreira (1729); Memórias para a História Eclesiástica do Arcebispado de Braga, de D. Jerónimo Contador de Argote (1732-1747). Deve-se à Academia a primeira tentativa de catalogação dos documentos portugueses do Arquivo de Simancas. As desavenças que desde o início dividiram os académicos juntamente com a criação da Academia Real das Ciências, em 1779, foram parcialmente responsáveis pelo seu declínio. Apesar de tudo, vários dos seus elementos mantiveram as reuniões no início do século XIX, até à partida da Corte para o Brasil.