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sábado, 4 de julho de 2015

A 4 de Julho de 1967 - Nasce Ana Padrão



Actriz com uma invulgar beleza, é um dos rostos referência no panorama da cultura e do cinema português. Formada na Escola Superior de Teatro e Cinema, depressa se revelou como actriz, trabalhando com realizadores como José Nascimento, Joaquim Leitão, Jorge Silva Melo, Fernando Lopes, Raoul Ruiz, João César Monteiro, Jorge Queiroga, José Fonseca e Costa, António Pedro Vasconcelos, Mário Barroso, Cristina Boavida, Carlos Coelho da Silva, Alexandre Valente ou Bruno de Almeida. Em simultâneo, é uma presença constante no elenco das melhores telenovelas nacionais, como se pode constatar no seu vasto e impressionante currículo.

A 4 de Julho de 1927 - Nasce Gina Lollobrigida

A 4 de Julho de 2010 - Morre, aos 75 anos, Ayatollah Fadlallah, líder xiita do Líbano, mentor do Hezbollah, inimigo dos Estados Unidos e ex-apoiante da revolução islâmica iraniana. Promoveu a emancipação das mulheres e opôs-se aos crimes de honra.

A 4 de Julho de 2007 - Morre em Lisboa, vítima de cancro, o ator Henrique Viana, 71 anos, cuja carreira se estendeu por mais de 50 anos.

A 4 de Julho de 2007 - Realiza-se em Lisboa a primeira Cimeira UE/Brasil.

A 4 de Julho de 2004 -- A Grécia vence o Campeonato Europeu de Futebol 2004, batendo a seleção portuguesa por um golo.

A 4 de Julho de 2003 - Morre o escritor, professor e jornalista português Augusto Abelaira, 77 anos, autor de "Cidade das Flores", antigo diretor de programas da RTP e ex-diretor das revistas Vida Mundial e Seara Nova.

Augusto José de Freitas Abelaira foi um professor, romancista, dramaturgo, tradutor e jornalista português.
 Nascido a 18 de março de 1926, em Ançã, Cantanhede, e falecido a 4 de julho de 2003, em Lisboa. Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Lisboa, foi diretor de programas da RTP e presidente da Associação Portuguesa de Escritores, tendo ainda desenvolvido atividade como tradutor e sido diretor das revistas Seara Nova e Vida Mundial.
Estreou-se literariamente com A Cidade das Flores (1959), onde traça o perfil de uma certa juventude portuguesa do após-guerra.
Autor situado numa segunda geração neorrealista, incutiu ao romance de intenção social uma dimensão de auto-crítica geracional, complexificando os processos de representação da realidade, através da subversão de qualquer linearidade temporal e de uma técnica de montagem de diálogos e de fluxos de consciência. Foi reconhecido com o Prémio Ricardo Malheiros, atribuído a As Boas Intenções (retrato da pequena burguesia citadina), e marcou a novelística do início da segunda metade do século XX, publicando durante a década de sessenta uma série de narrativas a que subjaz uma profunda reflexão sobre a condição do homem moderno, ceticamente consciente da falacidade de todos os seus atos, e sobre os instrumentos da escrita, a linguagem e o permanente questionamento da relação entre o que se quer dizer e o modo de o dizer. Nesta medida, os seus romances, prescindindo de intriga e partindo frequentemente da problematização de uma relação amorosa, assumem-se cada vez mais como um palco de possibilidades e impossibilidades, encontros e desencontros do homem consigo mesmo e com o outro, numa espécie de "jogo de espelhos com imagens virtuais ad infinitum" (cf. Óscar Lopes, cit. in Bolor, Lisboa, 3ª ed., Bertrand, 1974). Romances como Outrora Agora, já dos anos 90, reafirmam o nome de Augusto Abelaira como o de um romancista que impõe ao leitor um pacto de desconfiança relativamente a tudo o que lhe pudesse ser dado como adquirido (a história, as palavras, o tempo), numa técnica romanesca que simula a simultaneidade entre o momento da escrita e o momento da narração, vazando num presente absoluto todos os factos hipotéticos do passado e do futuro. Aquela obra valeu-lhe o Grande Prémio de Romance e Novela, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores em 1997.
Destacam-se também da sua bibliografia: Sem Teto entre Ruínas, que lhe granjeou o Prémio Cidade de Lisboa em 1979 e Deste Modo ou Daquele (1990).
Augusto Abelaira faleceu a 4 de julho de 2003, em Lisboa, vítima de doença prolongada.

A 4 de Julho de 1992 - Morre o compositor argentino Astor Piazzolla, autor de "Adeus Nonino", criador do Novo Tango.

A 4 de Julho de 1937 -- Atentado, em vão, contra o ditador português Oliveira Salazar, na avenida Barbosa du Bocage, em Lisboa.

1937 Atentado a Salazar.3[15]


A 4 de Julho de 1937 o rumo do Portugal fascista e salazarista poderia ter mudado. Um atentado, protagonizado sobretudo por anarquistas (a que se haviam associado elementos republicanos e comunistas), à figura de Salazar que, quase por milagre escapou ileso, poderia ter poupado Portugal a mais quase 4 décadas de fascismo. Durante meses este grupo revolucionário – que já antes tinha colocado bombas nos ministérios e no Rádio Clube Português, em solidariedade com a revolução espanhola e contra o apoio que o governo e o RCP davam aos falangistas de Franco – estudou a melhor hipótese de atentar contra a vida de Salazar – o homem forte do regime fascista. Dadas as características do regime, personalizado em Salazar, a sua morte teria alterado significativamente o curso da história.
O PCP sempre se demarcou desde episódio – e fez bem! Nunca estaria à altura, enquanto organização, de um feito destes. Houve militantes republicanos e comunistas que participaram a título individual – do mesmo modo que a 1 de Janeiro de 1962 militantes de diversas origens (democratas, anarquistas, comunistas, socialistas e outros antifascistas) também participaram no famoso assalto ao Quartel de Beja.
A grande referência histórica para este atentado é Emídio Santana, que esteve preso durante 16 anos. Anarco-sindicalista, militante da CGT, um dos impulsionadores do movimento libertário no pós 25 de Abril e director de “A Batalha” após 1974, publicou um livro – História de um atentado: o atentado a Salazar – que é ainda uma das grandes fontes de informação sobre a preparação e execução deste atentado.

A 4 de Julho de 1934 -- Morre a cientista francesa de origem polaca Marie Curie, 66 anos, Prémio Nobel da Física, em 1903, e da Química, em 1911.

A 4 de Julho de 1930 -- Morre Arthur Connan Doyle, escritor britânico, criador de Sherlock Holmes.

A 4 de Julho de 1908 -- Nasce o poeta e ensaísta Adolfo Casaes Monteiro.



Adolfo Victor Casais Monteiro nasceu no dia 4 de Julho de 1908, na cidade do Porto, freguesia de Massarelos. Filho de Adolfo de Paiva Monteiro e de Victorina de Sousa Casais Monteiro, recebeu uma educação laica que privilegiou os valores da cultura e da intelectualidade, típicos do seu estrato social.
Cinco anos após a implantação da República, Casais Monteiro frequentou, na mesma cidade, o segundo grau do ensino primário no Colégio Almeida Garrett e iniciou os estudos liceais no Liceu Rodrigues de Freitas, ambos no Porto. Em meados dos anos 20, aquando da implantação da ditadura militar, ingressou na Faculdade de Letras da Universidade do Porto para frequentar o curso de Ciências Históricas e Geográficas, acabando por concluir o curso de Ciências Históricas e Filosóficas em 1933.
Nos seus tempos de frequência universitária, no Porto, a acção literária de Casais Monteiro começou a destacar-se quando entrou para a direcção da revista Águia, o que sucedeu no mesmo ano em que publicou a sua primeira poesia, Confusão (1929). Reforçou, então, os laços de amizade com Leonardo Coimbra, de quem recebeu influência. Neste período, iniciou a sua acção política no movimento Renovação Democrática, na secção redactorial. Ao longo da sua vida, fez valer as suas convicções, tornando-se um opositor ao regime do Estado Novo, implantado em 1933, tendo sido detido por diversas vezes.
Em 1931 entrou para a direcção da revista de análise artística e crítica Presença, onde os seus escritos ganharam notoriedade. Até 1940, dirigiu a revista com Gaspar Simões e José Régio, abandonando-a, por essa altura, por dissenções internas que levariam, pouco depois, ao encerramento da revista. Cursou Ciências Pedagógicas em Coimbra, em 1934, realizou Exame de Estado no Liceu Normal, última fase da sua formação pedagógica, e ingressou no Liceu D. Manuel II (anteriormente, Liceu Rodrigues de Freitas, no Porto) como professor. No mesmo ano, casou com Alice Pereira Gomes, irmã de Soeiro Pereira Gomes, de quem viria a separar-se já depois da sua partida para o Brasil. Como aconteceu a muitos intelectuais, opositores ao regime do Estado Novo, Casais Monteiro foi perseguido pelas suas posições políticas, tendo sido afastado compulsivamente do ensino em 1936. Em 1954, viu-se forçado a partir para o exílio, no Brasil.
A sua actividade literária estendeu-se à poesia, ao ensaio, à teorização, ao romance e à crítica. Em 1933, saíram a público as obras Considerações Pessoais (de crítica ensaística) eCorrespondência em Família, em colaboração com o poeta brasileiro Ribeiro Couto. Na década de 40, publicou várias obras de cariz essencialmente poético, destacando-se Canto da Nossa Agonia(1942) e Europa (1946).
Em 1945, participou no MUD (Movimento de Unidade Democrática) e no ano seguinte colaborou no semanário Mundo Literário. Durante o mesmo ano, publicou o seu primeiro romance:Adolescentes. Colaborou, igualmente, em diversas revistas e jornais como a Seara Nova, O Diabo,Animatógrafo. Fez crítica não só literária como de outras áreas (cinema e teatro, por exemplo).
Antes de partir para o Brasil, em 1954, em busca da liberdade de acção que não tinha em Portugal, participou na organização de antologias poéticas e em obras de homenagem a autores brasileiros e estrangeiros.
Após ter emigrado, o seu carácter suavizou do ponto de vista do trato pessoal. Dirigiu cursos sobre temas que lhe interessavam, como a literatura, mas também sobre o romance. No entanto, foi na crítica que Casais mais se destacou. Em 1962, fixou-se em Araraquara, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras local, Estado de São Paulo.
Na companhia do filho mas não da esposa de quem, entretanto, se tinha separado, permaneceu activo do ponto de vista da produção literária e da colaboração em periódicos como O Globo,Estado de São Paulo ou Portugal Democrático.
Esteve um semestre em Madison, E.U.A., em substituição de Jorge de Sena, seu amigo, como docente. Sendo maior a sua influência no Brasil, publicou, em 1969, a obra Poesias Completas que contém O Estrangeiro Definitivo, que, por sua vez, consagrou a acção literária do autor. Postumamente, em 1984, foi publicada a sua tese de livre docência, intitulada Estrutura e Autenticidade na Teoria e na Crítica Literárias.
Sem que tivesse voltado a Portugal, veio a falecer devido a problemas cardíacos, na sua residência, próxima da do seu filho, em São Paulo, no dia 24 de Julho de 1972.

A 4 de Julho de 1906 -- Nasce Emídio Santana, precursor do anarco-sindicalismo em Portugal, co-fundador do Sindicato Nacional dos Metalúrgicos, diretor do jornal A Batalha, autor de "Memórias dum Militante Anarco-sindicalista" e do atentado gorado ao ditador Oliveira Salazar, a 04 de julho de 1937.


Emídio Santana nasceu em Lisboa, a 4 de Julho de 1906 e faleceu nesta cidade, a 16 de Outubro de 1988. Filho de um operário serralheiro e mãe doméstica, frequentou a Escola Oficina nº 1, do Largo da Graça e começou a trabalhar aos 14 anos como aprendiz de carpinteiro de moldes, aderindo de imediato ao sindicato metalúrgico e estudando à noite na Escola Industrial Afonso Domingues.
Em 1924, aderiu às Juventudes Sindicalistas e foi membro do Sindicato Nacional dos Metalúrgicos, filiado na antiga Confederação Geral do Trabalho Portuguesa. No 2º Congresso das Juventudes Sindicalistas Portuguesas, realizado no Barreiro, em Abril de 1926, é eleito secretário-geral desta organização.
No seguimento do golpe militar fascista de 28 de Maio de 1926, desenvolveu uma actividade de resistência contra a ditadura e actividade sindical clandestina. Incorporado no serviço militar após a revolução de Fevereiro de 1927 e colocado no Regimento de Telegrafistas, foi preso e encarcerado no Forte de Elvas, durante sete meses. Em Dezembro de 1931, foi preso ao sair de uma tipografia clandestina e em 1933, foi deportado para Angra do Heroísmo, sendo solto em Agosto de 1934. Em 1936, representou a CGT portuguesa no congresso da Confederación Nacional del Trabajo de Espanha e em 4 de Julho de 1937, foi um dos autores do atentado a Salazar quando este se deslocava à capela particular do seu amigo Josué Trocado, na Avenida Barbosa du Bocage, em Lisboa, para assistir à missa. Na sequência do atentado, Emídio Santana, foi procurado pela PIDE e fugiu para o Reino Unido, onde a polícia inglesa o prendeu e enviou para Portugal, tendo sido condenado a 16 anos de prisão. Só saiu da prisão em Maio de 1953.
Após o 25 de Abril de 1974, Emídio Santana retomou a vida militante activa, nomeadamente como director do jornal A Batalha. Em 1985, escreveu Memórias de um militante anarcossindicalista, livro onde recorda momentos importantes da sua vida de militância política.

A 4 de Julho de 1833 - Morre Borges Carneiro, um dos dirigentes da Revolução Liberal de 1820, da qual saíra a Constituição de 1822.


Manuel Borges Carneiro

Nasceu em Resende a 2 de novembro de 1774, faleceu em Cascais a 4 de julho de 1833. Era filho do bacharel José Borges Botelho e de D. Joana Tomásia de Melo.
Matriculou-se na Universidade de Coimbra em 1791, no curso jurídico. Formou-se em Cânones no ano de 1800, como consta da sua habilitação perante o Desembargo do Paço (Arquivo da Torre do Tombo), e não em Leis, como dizem quase todos os seus biógrafos. Entrou na carreira da magistratura, sendo nomeado juiz de fora de Viana do Alentejo, por decreto de 13 de maio e provisão de 14 de junho de 1803, para servir por três anos, sendo reconduzido por outros três com o predicamento de cabeça de comarca, decreto de 13 de maio e 25 de outubro de 1805, e provisão de 24 de março de 1806. Nesta situação o veio encontrar a Invasão Francesa, organizando-se em Lisboa uma regência presidida por Junot. Resistindo às prescrições despóticas impostas pelo general Kellermann, que estava delegado da regência no Alentejo, entrou numa conspiração promovida naquela província, contra os invasores, pelo que foi mandado prender por este general, e encerrado no convento de Beja, onde escreveu a carvão alguns versos, que mais tarde publicou.
Pela provisão de 30 de maio de 1812 foi nomeado provedor da comarca de Leiria. No decurso do seu emprego foi coligindo as matérias para a obra que publicou anos depois, intitulada: Extracto das leis, etc. Esta obra, era muito útil, por constar duma colecção de documentos legislativos publicados em Lisboa e no Rio de Janeiro, enquanto durou a permanência da corte no Brasil. A 14 de novembro de 1817 foi nomeado secretário da Junta do Código Penal Militar, e em recompensa da forma como desempenhou essas funções, foi despachado para um lugar supranumerário de desembargador da Relação e Casa do Porto, por decreto de 13 de maio de 1820.
Tendo abortado a conspiração que em 1817 vitimou Gomes Freire de Andrade, um grupo de homens notáveis prepararam urna revolução pacífica, cujo grito foi levantado no Porto a 24 de agosto do referido ano, e repercutido em Lisboa a 16 de setembro. Foram iniciadores do movimento revolucionário Manuel Fernandes Tomás, José Ferreira Borges, Sepúlveda, Xavier de Araújo, e outros, que ficaram conhecidos na história pelos heróis de 1820. Manuel Borges Carneiro foi em seguida um dos mais decididos e vigorosos adeptos daquela revolução. Organizou-se um governo provisório, e foram convocadas Cortes Constituintes para organizarem uma Constituição Política. A 24 de janeiro de 1821 reuniram-se os deputados em sessão preparatória, e a 26 foi a primeira sessão de abertura, sendo lido o respectivo discurso pelo presidente do governo.
A 27 foi eleita a Regência, e Borges Carneiro começou logo a manifestar o seu tacto organizador, propondo que houvesse cinco secretários do conselho executivo, do reino, fazenda, guerra, marinha e estrangeiros. Depois de se haver organizado a Constituição política e de a haverem jurado, assim como D. João VI, a Família Real e todos os funcionários e corpos populares, com raras excepções, foram encerradas as cortes extraordinárias e constituintes a 4 de novembro de 1822, tendo durado a sessão quase dois anos consecutivos. Procedeu-se a novas eleições. Borges Carneiro distinguira-se tanto nas cortes constituintes, que seis círculos eleitorais o elegeram. Na sessão preparatória foi escolhido o seu nome para a comissão de verificação de poderes, e Borges Carneiro ficou representando então um dos círculos de Lisboa. Este congresso liberal era o mais sincero e sensato. As cortes de 1820 organizaram as bases da constituição e depois a própria constituição, o juramento de aceitação destes documentos, foram actos de entusiasmo e regozijo. Extinguiram a Inquisição, a intendência geral de polícia, o tribunal da inconfidência, a mesa da consciência e ordens, o desembargo do paço, a tortura, os direitos banais e as coutadas, os privilégios de foro especial e de aposentadoria; providenciou-se com relação à Universidade de Coimbra, à companhia dos vinhos do Alto Douro, e à agricultura em geral, etc. Muitas outras providências se tomaram sobre diversos assuntos, porque de nada se esqueceram e descuidaram.
O movimento liberal fora ao princípio bem acolhido no Brasil; a Baía, Pará, Pernambuco corresponderam ao grito da liberdade, e enviaram os seus representantes ao congresso de Lisboa. O conde do Palmela havia partido para o Brasil logo em seguida aos acontecimentos do Porto e Lisboa em 1820; chegando ao Rio do Janeiro fora nomeado ministro dos Estrangeiros, e pela consideração que merecia ao monarca convenceu-o a aprovar o movimento de Portugal, e a enviar o príncipe real D. Pedro com o cargo de seu lugar-tenente e uma Constituição para o Reino. A revolução do Rio de Janeiro de 26 de fevereiro do 1821 veio transtornar esses planos; D. João VI assustou-se, mudou de intenção, e resolveu voltar a Portugal, deixando ali ficar o príncipe. No dia 13 de maio de 1823, aniversário do nascimento do rei, houve grandes festas em Lisboa; no paço da Bemposta, o monarca, acompanhado do infante D. Miguel, deu beija-mão à corte, indo à noite ao teatro e em seguida ao baile da assembleia. A Câmara Municipal inaugurou numa das suas salas o retrato do monarca. Seguia assim placidamente a nação no seu sistema constitucional, porém moveram-se intrigas instigadas pela rainha D. Carlota Joaquina e seu filho D. Miguel, que pretendiam derrubar a Constituição.
O infante, segundo se dizia, fugira do paço de madrugada, indo a Vila Franca, à frente de Infantaria 23, comandada pelo brigadeiro Sampaio, acompanhado por alguns soldados de Cavalaria 4. O Congresso ficou em sessão permanente para tratar dos perigos da pátria. D. João VI declarou que estava no firme propósito de manter a Constituição jurada, desaprovando a desobediência do infante; a opinião geral do povo e da tropa era que o ministério devia ser demitido. Com efeito deu-se esta demissão, sendo nomeados novos ministros. As traições, porém, começaram por toda a parte, o partido de D. Miguel ia engrossando e o novo ministério pediu também a demissão em 1 de junho, celebrando o congresso a sua última sessão a 2 deste mês. Borges Carneiro propôs, e as Cortes aprovaram e assinaram, uma declaração de protesto em que se consignava, que estando destituídos do poder executivo, desamparados da força armada, não podiam continuar o seu mandato; e a sua persistência seria inútil à nação e interrompiam as suas sessões até que a deputação permanente o julgasse conveniente, protestando em nome de seus constituintes, contra qualquer alteração ou modificação na constituição de 1822. Dias depois entrava o infante D. Miguel, triunfante em Lisboa, e com ele a reacção.
Borges Carneiro foi demitido do cargo de desembargador da Relação e Casa do Porto, por decreto de 17 de julho de 1823. Recolheu-se então à vida privada, continuando os seus estudos e trabalhos literários. Em 10 de março de 1826 faleceu D. João VI, e foi aclamado D. Pedro IV, que a 29 de abril outorgou uma Carta Constitucional, abdicando logo a coroa em 2 de maio, em sua filha D. Maria II, continuando como regente em seu nome a infanta D. Isabel Maria, que fora nomeada por seu pai. Nas eleições gerais de deputados não foi esquecido o nome de Manuel Borges Carneiro, e a infanta regente, num alvará de 16 de outubro, restituía-lhe o seu cargo de desembargador da Relação e Casa do Porto. As novas Cortes abriram-se em 31 de outubro, logo na primeira sessão foi Borges Carneiro nomeado para uma das comissões de verificação de poderes. Estas sessões não tiveram a importância das primeiras cortes. Em 14 de dezembro de 1827 foi Borges Carneiro nomeado desembargador ordinário da Casa da Suplicação; encetou a publicação do Direito Civil Português, de que saíram três volumes, de 1826 a 1828, imprimindo também o Resumo de alguns dos livros santos.
D. Miguel, tomando posse da regência do reino, dissolveu as Cortes, e declarou-se rei absoluto, começando desde então uma perturbação completa na ordem interna do país, seguindo-se um reinado de terror, enchendo-se as cadeias de prisioneiros de todas as hierarquias, classes e condições, que manifestavam as suas ideias liberais, a que davam por aviltamento o nome de malhados. Borges Carneiro não podia deixar de ser preso, apóstolo como era, da liberdade, por que sempre pugnara. Foi demitido do lugar de desembargador e mandado riscar do quadro da magistratura, e não tardou a que entrasse no Limoeiro, a 15 de agosto de 1828, donde passou logo no dia 30 para a Torre de S. Julião da Barra, em companhia de numerosos presos, que pelo mesmo motivo ali foram encerrados. Em 1833 desenvolveu-se no país a grande epidemia da cólera morbos, que fez milhares de vítimas, e na Torre de S. Julião, onde tanta gente se acumulava, deram-se numerosos casos. Resolveu-se passar a Cascais uma certa quantidade de presos, em que foi incluído Manuel Borges Carneiro, que em 28 de junho para ali se transportou, sendo logo atacado no dia 30, falecendo a 4 de julho seguinte. Foi enterrado na explanada da praça, próximo dum muro, lançando-se na mesma cova, como por desprezo, o cadáver dum obscuro tambor. Os seus manuscritos foram religiosamente salvos e guardados por um seu fiel criado, Manuel Luís, que muito o auxiliou durante a prisão, expondo-se a iminentes perigos.

A 4 de Julho de 1826 -- Morre Thomas Jefferson, subscritor da Declaração de Independência e terceiro presidente dos EUA.

A 4 de Julho de 1811 -- Nasce Antónia Adelaide Ferreira -- Ferreirinha. Empresária influente e altruísta, deixa para a história a maior empresa nacional de Vinho do Porto -- Porto Ferreira - e duas marcas vinícolas de renome internacional -- Porto Ferreira e Casa Ferreirinha

A 4 de Julho de 1807 -- Nasce Giuseppe Garibaldi, herói da unificação de Itália.

A 4 de Julho de 1804 -- Nasce o escritor norte-americano Nathaniel Hawthorne, autor de "A Letra Escarlate".

A 4 de Julho de 1802 -- Abre a Academia Militar de West Point, nos EUA.

A 4 de Julho de 1711 -- Construção da Igreja do Menino de Deus.