sexta-feira, 6 de maio de 2016

Ontem foi dia da espiga!




Dia da espiga ou Quinta-feira da espiga é uma celebração portuguesa que ocorre no dia da Quinta-feira da Ascensão com um passeio matinal, em que se colhe espigas de vários cereais, flores campestres e raminhos de oliveira para formar um ramo, a que se chama de espiga. Segundo a tradição o ramo deve ser colocado por detrás da porta de entrada, e só deve ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte.
O dia da espiga era também o "dia da hora" e considerado "o dia mais santo do ano", um dia em que não se devia trabalhar. Era chamado o dia da hora porque havia uma hora, o meio-dia, em que tudo parava, "as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas se cruzam". Era nessa hora que se colhiam as plantas para fazer o ramo da espiga e também se colhiam as ervas medicinais. Em dias de trovoadas queimava-se um pouco da espiga no fogo da lareira para afastar os raios.

A SIMBOLOGIA por detrás das plantas que formam o ramo de espiga:
- Espiga = Pão
- Malmequer = Ouro e Prata
- Papoila = Amor e Vida
- Oliveira = Azeite, Paz e Luz
- Videira = Vinho e Alegria
- Alecrim = Saúde e Força.

Está então previsto um ano de boas colheitas!...

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Ary dos Santos que saudade!...

O Alentejo é mesmo contagiante!...

O fado é mesmo uma loucura!...



Sou do fado
Como sei
Vivo um poema cantado
De um fado que eu inventei

A falar
Não posso dar-me
Mas ponho a alma a cantar
E as almas sabem escutar-me

Chorai, chorai
Poetas do meu país
Troncos da mesma raíz
Da vida que nos juntou

E se vocês
Não estivessem a meu lado
Então não havia fado
Nem fadistas como eu sou

Nesta voz
Tão dolorida
É culpa de todos vós
Poetas da minha vida

A loucura
Ouço dizer
Mas bendita esta loucura
De cantar e sofrer

Chorai, chorai
Poetas do meu país
Troncos da mesma raiz
Da vida que nos juntou

E se vocês
Não estivessem a meu lado
Então não havia fado
Nem fadistas como eu sou

E já agora que a chuva ameaça voltar!...



As coisas vulgares que há na vida
não deixam saudade
Só as lembranças que doem
ou fazem sorrir

Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir

São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder

Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer

A chuva molhava-me o rosto
gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
já eu percorrera

Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob a chuva
há instantes morrera

A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
trazendo a saudade

Ainda há coisas lindas, esta é uma delas!... Bom dia!



Quando veio,
Mostrou-me as mãos vazias,
As mãos como os meus dias,
Tão leves e banais.
E pediu-me
Que lhe levasse o medo,
Eu disse-lhe um segredo:
"Não partas nunca mais".
E dançou,
Rodou no chão molhado,
Num beijo apertado
De barco contra o cais.

E uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite
Sou dono do céu,
E eu não sei quem te perdeu.

Abraçou-me
Como se abraça o tempo,
A vida num momento
Em gestos nunca iguais.
E parou,
Cantou contra o meu peito,
Num beijo imperfeito
Roubado nos umbrais.
E partiu,
Sem me dizer o nome,
Levando-me o perfume
De tantas noites mais.

E uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite
Sou dono do céu,
E eu não sei quem te perdeu.

domingo, 1 de maio de 2016

Bom dia! Está um belo dia primaveril.




Provérbios de Maio



Em Maio, as cerejas uma a uma leva-as o gaio; em Junho a cesto e a punho.

Em Maio, come a velha a cereja ao borralho.

Sáveis em Maio, maleitas todo o ano.

Depois de Maio, a lampreia e o sável dai-o.

Dia de Maio, dia de má ventura; ainda é de manhã, logo é noite escura.

Diz Maio a Abril: ainda que te pese me hei-de rir.

Favas o Maio as dá, o Maio as leva.

Fraco é o Maio que não rompe uma palhoça.

Guarda o melhor saio para Maio.

Guarda pão para Maio, lenha para Abril, o melhor bicão para o São João.

Maio claro e ventoso, faz o ano rendoso.

Maio come o trigo, Agosto bebe o vinho.

Maio couveiro não é vinhateiro.

Maio engrandecer, Junho ceifar, Julho debulhar.

Maio frio, Junho quente, bom pão, vinho valente.

Maio hortelão, muita parra e pouco pão.

Maio me molha, Maio me enxuga.

Maio não dá capote.

Maio pardo, ano farto.

Maio pardo, Junho claro.

Maio que não der trovoada, não dá coisa estimada.

Trovoada de Maio depressa passa.

Vinho que nasce em Maio, é para o gaio; se nasce em Abril, vai ao funil; se nasce em Março, fica no regaço.

A boa cepa, Maio a deita.

A erva, Maio a dá, Maio a leva.

Abril chove para os homens e Maio para as bestas.

Abril chuvoso e Maio ventoso fazem o ano formoso.

Peixe de Maio, a quem vo-lo pedir dai-o.

Primeiro de Maio, corre o lobo e o veado.

Quando em Maio não toa, não é ano de broa.

Quando Maio chegar, é preciso enxofrar.

Quando Maio chegar, quem não arou tem que arar.

Quem em Abril não varre a eira e em Maio não sacha a leira, anda todo o ano em canseira.

Quem em Maio não merenda, com os mortos se encomenda.

Quem em Maio relva, não tem pão nem erva.

Quem me vir e ouvir, guarde pão para Maio e lenha para Abril.

De Maio a Abril, não há muito que rir.

Quem quer mal à sua vizinha, dá-lhe em Maio uma sardinha e em Agosto a vindima.

01 de Maio de 2016 - Dia da Mãe



sábado, 30 de abril de 2016

Amanhã é dia 1º de Maio - Dia do trabalhador




Vai ser incrementado um Segundo Acordo Ortográfico!...



O sexo das palavras

A recente proposta do BE para se mudar o nome Cartão de Cidadão para Cartão de Cidadania veio mostrar que é urgente implementar um Segundo Acordo Ortográfico que acabe com o sexo das palavras e dos artigos que as precedem. O problema é complicado, pois Cidadania é do sexo feminino e os masculinistas protestariam certamente, mas dada a competência dos Malaquias que fizeram o Primeiro Acordo, o problema seria ultrapassado com duas penadas.

Os artigos “o” e “a” terão de ser os primeiros a serem banidos da ortografia e substituídos por um artigo unissexo. Para ajudar os Malaquias, proponho o artigo π (pi). Este artigo seria do agrado do BE pois não tem sexo, vem das terras do Tsiriza e é um número paradoxal (pequeno, da ordem de três unidades, mas extremamente comprido - 3.14159265358979323846264338327950288419716 939937510582097494459230781640628620899862857141595781119635833005940873068 12160 etc. … como o Orçamento de Estado, com receitas pequenas e despesas grandes).

Assim, nesta primeira fase acabavam-se os problemas no que se refere ao artigo. O senhor e a senhora Sá passariam ambos a ser simplesmente designados por π Sá. A Locas seria π Locas, o Lau seria π Lau e a Sinha π Sinha. O Nando ficaria π Nando.

No próximo artigo apresentarei uma proposta relativa à alteração do “o” e “a” finais para obter palavras unissexo.

Carlos Corrêa



Gondomar

***O número pi foi determinado pela razão entre o perímetro de um círculo e o seu diâmetro. Por se tratar de um valor constante, sempre igual, o pi passou a ser representado na matemática pelo símbolo π. Para exemplificar, iremos demonstrar em fórmula que a divisão entre o perímetro e o diâmetro de uma roda de carro e de uma moeda são exactamente o mesmo valor: π.