quarta-feira, 26 de junho de 2019

Ilhas de Bruma



Ilhas de Bruma
Autor: José Ferreira



Ainda sinto os pés no terreiro
Onde os meus avós bailavam o pezinho
A bela Aurora e a Sapateia
É que nas veias corre-me basalto negro
E na lembrança vulcões e terramotos


Por isso é que eu sou das ilhas de bruma
Onde as gaivotas vão beijar a terra


Se no olhar trago a dolência das ondas
O olhar é a doçura das lagoas
É que trago a ternura das hortênsias
No coração a ardência das caldeiras.


Por isso é que eu sou das ilhas de bruma
Onde as gaivotas vão beijar a terra


É que nas veias corre-me basalto negro
No coração a ardência das caldeiras
O mar imenso me enche a alma
E tenho verde, tanto verde a indicar-me a esperança.

domingo, 23 de junho de 2019

Avelino Henriques da Costa Cunhal nasceu em Seia, a 28 de Outubro de 1887 e faleceu em Coimbra, na Sé Nova, em 19 de Fevereiro de 1966

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AVELINO CUNHAL (1887 – 1966)


Advogado, historiador, dramaturgo e artista plástico, foi um resistente da Ditadura do Estado Novo. Era um humanista, um homem íntegro e de grande carácter, com uma personalidade caracterizada por uma rara versatilidade.
Enfrentou com grande coragem e dignidade a opção de clandestinidade do filho, Álvaro Cunhal, e a violenta repressão fascista de que este foi vítima.

1. Avelino Henriques da Costa Cunhal nasceu em Seia, a 28 de Outubro de 1887 e faleceu em Coimbra, na Sé Nova, em 19 de Fevereiro de 1966. Era filho de José Henriques Jr. (Castanheira de Pera, 1850 - 1905) e de Umbelina Jeny da Costa Cunhal (Seia, 1858 - 1902). Com o seu irmão Alfredo Henriques da Costa Cunhal frequentou o Colégio do Piódão.
Casou em Coimbra, em 1908, com Mercedes Simões Ferreira Barreirinhas (Coimbra,1888 - 1971), e teve dois filhos e duas filhas: António, Álvaro, Maria Mansueta e Maria Eugénia. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e começou a exercer advocacia. Pouco tempo depois mudou-se de Coimbra para Seia, onde teve o cargo de Administrador do Concelho de Seia; fundou então a Sociedade de Propaganda e Defesa do Concelho de Seia, [terra onde se realizou o último comício republicano no regime monárquico com Afonso Costa]. Depois, em 1923, durante escassos meses, foi advogado e Governador Civil da Guarda. Foi advogado em Seia de 1917 até 1924.
Em 1924, a filha Mansueta morreu (aos 7 anos) e a família Cunhal foi viver para Lisboa, onde Avelino C. passa a exercer advocacia e a leccionar História.
Durante vários anos, Avelino C. foi professor de História no Colégio Valsassina, marcando profundamente aqueles que foram seus alunos (1).

2. Quando, em 1935, o filho Álvaro entra para a clandestinidade no PCP, Avelino Cunhal e Mercedes Cunhal já tinham perdido dois filhos: Mansueta e António (3 anos mais velho do que Álvaro), que morrera de tuberculose, com 24 anos.
A PIDE vigiava Avelino Cunhal à procura de uma pista que levasse ao filho. Depois de lhe invadirem casa e de sequestrarem a sua mulher e a filha Eugénia, durante três dias e três noites, os agentes da PIDE instalaram-se em sua casa até acabarem por prendê-lo. Avelino Cunhal esteve então alguns dias incomunicável em Caxias, forçado a comer no balde dos dejectos, uma humilhação com que, na cadeia, pretendiam atingir-lhe o filho.
Avelino Cunhal destaca-se como advogado nos tribunais fascistas na defesa de inúmeros presos políticos, acusados pela ditadura de crimes de subversão contra o regime.

3. Com uma postura intelectual e política inequivocamente democrática e antifascista, Avelino Cunhal consagra-se como artista plástico e aparece sempre integrado na corrente neo-realista, com trabalhos de intervenção social e política, na perspectiva da luta contra o regime. Participou em Salões da Sociedade Nacional de Belas Artes (Lisboa), e nas Exposições Gerais de Artes Plásticas (SNBA), tendo visto uma das suas obras apreendida pela polícia na segunda mostra, em 1947: «O menino da bandeira branca» (2).

Foi colaborador das revistas Vértice, Seara Nova e O Diabo. Escreveu dois romances, Senalonga (3), cujo tema é Seia, sua terra natal, e Areias Secas. Foi, ainda, dramaturgo, tendo escrito várias peças de teatro em um acto, estas sob o pseudónimo de Pedro Serôdio: Naquele Banco, Ajuste de Contas, Dois Compartimentos e Tudo Noite são algumas delas. Estas peças tinham claras intenções de intervenção social, pelo que foram alvo de censura (4). Há, porém, um outro romance, este só publicado em 2009: «Nenúfar no Charco». Escrito e ilustrado pelo próprio em 1935, altura em que a sua publicação foi proibida pela censura fascista, veio a ser apresentado numa sessão em que Domingos Lobo (crítico literário do Avante) identifica na obra "influências de Dostoiévski e Tólstoi, de Zola e Victor Hugo no realismo social sempre perseguido por Avelino Cunhal, tanto na literatura como no seu trabalho de pintor".

4. Avelino Cunhal foi visto pelo filho, Álvaro C., como um modelo de cidadania, que o ajudou na descoberta das artes, da literatura e do desenho; como um homem excepcional de carácter e de integridade, de quem recebeu muitos ensinamentos (5).

Avelino Cunhal faleceu em 19 de Fevereiro de 1966.

Notas:


(1) «Avelino Cunhal marcou para sempre a minha formação académica e cívica. A minha forma de pensar foi muito moldada pelo seu exemplo. Conheci-o no Colégio Valsassina em Lisboa em 1960. Foi meu professor de História nesse ano. Ensinou-me muito. Ficaram memoráveis as explicações que dava sobre a Antiguidade, os Grandes Filósofos, os Cidadãos de Atenas ou a Guerra do Peloponeso. Na aula, sentado ao canto esquerdo da mesa, ligeiramente elevado pelo estrado, perna traçada que evidenciava o uso de capas de feltro a cobrir os sapatos, Avelino Cunhal falava de forma muito expressiva, animada pelos movimentos dos seus braços estendidos e das mãos semifechadas colocadas em distintos planos.
Iniciei o ano escolar com Avelino Cunhal em Outubro de 1960. Poucos meses antes, em Janeiro, o filho tinha protagonizado a mais espectacular das fugas de presos políticos em presídios portugueses. (…) Pedi a meu Pai que me explicasse o que se passava com o filho do Professor. Foi então, com entusiasmo indisfarçável, que me relatou o sucesso da fuga de Álvaro Cunhal da prisão de Peniche. Conseguira fugir e nunca mais regressar até, catorze anos depois, ter trepado para cima do tanque do MFA que o esperou no aeroporto de Lisboa. Antes do final de 1960, abordei Avelino Cunhal quando subia o lance de escadas para o piso superior do corpo principal do Colégio. Disse-lhe que compreendia o desgosto que seguramente tinha em não poder ver o filho e que em minha casa estavam todos solidários. Pôs-me a mão por cima dos ombros, nada disse de concreto e continuou a caminhada, a meu lado, para a lição daquele dia. Seguiram-se, em diferentes ocasiões, cumprimentos do mesmo género. No ano seguinte, também lhe comuniquei que o meu Pai tinha ouvido o filho na Rádio Moscovo que, apesar das interferências ruidosas, era motivo frequente de atenção em minha casa. Avelino Cunhal morreu em Fevereiro de 1966. Estive no cemitério do Alto de São João. Era um dia de chuva intensa. Algumas dezenas de pessoas aglomeraram-se no pátio interior junto ao portal principal. Todos esperavam a urna. Percebia-se a presença da polícia. Os agentes da PIDE à entrada estavam inquietos. Sentia-se a tensão. Ambiente pesado. Subitamente, ouve-se vozearia para apoiar o motorista de uma camioneta que tentava acertar a manobra para entrar no portão apertado. Era um camião de caixa aberta que transportava uma coroa gigante de flores vermelhas. Na enorme faixa que a atravessava lia-se: “DO TEU FILHO ÁLVARO”. Foi preciso um guindaste para movimentar a própria coroa. A emoção conjugou-se com a satisfação pelo destaque que a coroa naturalmente assumiu.» – Francisco George, Fevereiro de 2011, “Dossier de lutas”, in http://www.franciscogeorge.pt/10201.html

(2) As Exposições Gerais de Artes Plásticas foram realizadas anualmente pela Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, entre 1946 e 1956, com excepção de 1952, ano em que a SNBA esteve encerrada pela PIDE. A I Exposição Geral de Artes Plásticas foi um êxito, até junto da crítica mais conservadora, que não se apercebeu das intenções de intervenção política. Esse êxito aumentou na segunda (1947), principalmente depois da crítica avassaladora do Diário da Manhã, que denunciava o seu carácter subversivo. Este facto provocou a intervenção do Governo, que enviou à SNBA o próprio Ministro do Interior, Cancela de Abreu, acompanhado pela PIDE. Desta intervenção resultou a apreensão de obras de vários artistas, entre os quais, Júlio Pomar, Avelino Cunhal e Manuel Ribeiro de Pavia.

(3) «De Avelino Cunhal conhecemos o pícaro mordaz, a agudeza metafórica dessa magnífica colectânea de contos que é Senalonga, livro que só por si mereceria atenta e demorada análise, não apenas pelo estilo satírico (herdado do Eça, de Camilo, de Aquilino) mas pelo novo que essa escrita imprime na desmontagem de uma realidade rural que era tudo menos plácida e ingénua, visão contrária, portanto, ao que o idealismo burguês de Júlio Dinis profusamente desenvolveu e difundiu. A mordacidade cósmica da escrita de Avelino Cunhal denuncia em Senalonga, com desarmante humor, os peralvilhos, os oportunistas e os demagogos de todos os quilates. O conto sobre a inauguração de um urinol público é paradigma dessa argúcia, desse derribado humor.
A crítica pouco tempo e espaço dedicou à análise da obra de um escritor que foi parco em títulos publicados – o referido Senalonga e Areias Secas, este último publicado pela Caminho em 1980 (14 anos após a morte do autor, ocorrida em 1966) e uma colectânea de 3 peças de teatro em 1 acto, saída numa colecção da Prelo, dirigida por Luís Francisco Rebello» – Domingos Lobo, no Jornal Avante, 22 de Outubro de 2009.

(4) Constituíram «uma das raras presenças do neo-realismo na literatura dramática portuguesa» (Manuel Alves de Oliveira, 1990).

(5) Avelino Cunhal foi recordado pelo filho como um modelo de cidadania, que o ajudou na descoberta das artes, da literatura e do desenho; como um homem excepcional de carácter e de integridade, de quem recebeu muitos ensinamentos sobre o comportamento cívico. À sua Mãe, Mercedes, Álvaro C. referia-se como sendo uma mulher voluntariosa, profundamente crente, católica, possuidora de uma personalidade muito forte, que o tinha auxiliado muito em momentos da sua vida. Mercedes discordava profundamente das opções políticas do filho, e tendo já perdido dois filhos, sentia que a escolha que ele fizera os tinha levado a perder um terceiro. Essa dor está expressa numa derradeira carta que escreve ao filho, dizendo que já não tem forças para ir vê-lo à prisão.

Biografia da autoria de Helena Pato, a partr de:

segunda-feira, 10 de junho de 2019

A verdade e a mentira!

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Pintura "a verdade que sai do poço"
jean-leon gerome, 1896

A verdade e a mentira!

A verdade e a mentira se encontraram um dia.
A mentira disse a verdade: " Hoje é um dia maravilhoso! ».
A Verdade olhou para o céu e suspirou, porque o dia estava realmente lindo. Eles passaram muito tempo juntos, chegando finalmente a um poço.
A mentira disse a verdade: "A água é muito bonita, vamos tomar um banho juntos! ».
A verdade, mais uma vez desconfiada, colocou a água à prova e descobriu que era realmente muito bonita.
Então elas se despiram e começaram a tomar banho.
De repente, a Mentira saiu da água e fugiu vestindo as roupas da Verdade.
A Verdade furiosa saiu do poço e perseguiu a Mentira para recolher as roupas.
Mas o mundo, vendo a Verdade nua, desviou o olhar com raiva e desprezo.
A pobre Verdade retornou ao poço e desapareceu para sempre, escondendo sua vergonha.
Desde então, a Mentira corre ao redor do mundo, vestida como a Verdade, satisfazendo as necessidades da sociedade ... porque o Mundo, em todo caso, não tem desejo de encontrar a Verdade nua.

domingo, 26 de maio de 2019

Hino do Benfica ARREPIANTE!!! - Benfica x Santa Clara

NOVA VERSÃO DO XICO FININHO

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Borrado de medo pela rua acima
Depois de mais um tweet na retrete
Sabendo que vai chegar o dia
De lhe apertarem o gasganete.

Chico Fininho, uh, uh
Chico Fininho, uh, uh

De caganeira à rasca
À rasca da caganeira
Conhece os corruptos
Todos de ginjeira!

Chico Fininho, uh, uh
Chico Fininho, uh, uh

Ele é o herói da corja inteira...

O Adepto Anarquista

sábado, 4 de maio de 2019

A tragédia de Superga



 Faz hoje 70 anos a tragédia de Superga. Depois de um jogo amigável com o Benfica em Lisboa, no regresso a Itália o avião do Torino despenhou-se e vitimou 31 pessoas. Abaixo imagens do funeral a 6 de Maio (com 500 mil pessoas, segundo fontes do Torino).

O défice de 0;5% conseguido à custa do desenvolvimento do país e do bem-estar dos portugueses



O governo PS não se cansa de elogiar a redução do défice orçamental da forma drástica como está a ser realizada, como isso fosse o objectivo principal de toda a política governamental. Mas o “milagre Centeno” é uma ilusão, que fica desmontada se se explicar como é que essa redução foi conseguida e quais as consequências para o país e para os portugueses. Foi conseguida à custa da degradação da Administração Pública central; da redução da despesa com Saúde e Educação; de um investimento público mais do que insuficiente. E deve lembrar-se que Centeno poupou nos direitos do povo, mas poderia ter poupado muito mais se não enterrasse milhões na banca e numa dívida impossível de pagar.

 Eugénio Rosa 04.May.19

ORGULHOSAMENTE PROFESSORES!

ORGULHOSAMENTE PROFESSORES!

O dinheiro que foi infiltrado nos bancos, não prejudicou o País;
As ajudas de custo, aos políticos, não prejudicou o País;
As dezenas de profissões, que têm bónus de milhares de euros, oferecidos pelos governos, não prejudica o País.
Os milhares de profissionais, que se passeiam nos carros do Estado, não prejudica o País;
Os funcionários públicos, que recebem pelas deslocações e têm direito a residência paga, não prejudicam o País;
As nomeações de milhares de "amiguinhos", a ganharem um balúrdio, num emprego sem trabalho, não prejudica o País;
Os milhares de euros, entregues a IPSS duvidosas não prejudica o País;
Os conselhos de administração, de Instituições públicas, ocupados por mandriões, vigaristas e aldrabões, a ganharem milhares de euros, não prejudica o País;
Agora, aqueles que correm um País inteiro, que pagam uma prestação de casa, mas que vão trabalhar a centenas de quilómetros, onde pagam a renda de um quarto e/ou são dos maiores consumidores de combustíveis. Que deixam os seus filhos, para ir ensinar, apoiar, acarinhar e guardar, os filhos dos outros. Aqueles, que não passam de profissionais nómadas, a construir uma sociedade, a preparem e desbravarem mentes. Aqueles, que diariamente, apoiam, ouvem e sentem os problemas de tantos e tantos jovens... esses sim, vão levar o País à banca rota, porque ganham pouco mais de mil euros líquidos, pagam todas as suas despesas, deslocações, alojamento... mas, porra, são professores... que se lixem.
Talvez, no dia, em que queiram um professor para os vossos filhos e uma escola para os acolher e guardar e não haja... pode ser que acordem.
Cada classe deveria lutar pelos seus direitos e o que eu vejo, é um bando de cidadãos contra os professores, como se estes fossem um bando de vigaristas, oportunistas e que não produzem (quando temos dos melhores ensinos do mundo) e não é, porque os programas são bons e os materiais adequados, é sim, porque temos muitos profissionais bons, no ensino (e, como em todas as profissões, também há maus profissionais, mas estes são poucos).
Lamento, que os professores sejam sempre o bode expiatório para justificar o injustificável... se alguém mentiu, foi quem na campanha prometeu e não cumpriu...
Podem falar mal, criticar, denegrir... mas a verdade é que sou orgulhosamente professor!!

segunda-feira, 4 de março de 2019

Faz hoje 18 anos!



Faz hoje 18 anos!
 Ficou conhecido como Tragédia de Entre-os-Rios um acidente, ocorrido a 4 de março de 2001, às 21:15 horas, que consistiu no colapso da Ponte Hintze Ribeiro, inaugurada em 1887, e que fazia a ligação entre Castelo de Paiva e a localidade de Entre-os-Rios.
O colapso do tabuleiro da ponte de Entre-os-Rios arrastou para as águas do Douro um autocarro e três automóveis ligeiros e tirou a vida a 59 pessoas.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

António Aleixo, poeta popular português, nasceu a 18 de Fevereiro de 1899


Ser Doido-Alegre, que Maior Ventura!

Ser doido-alegre, que maior ventura!
Morrer vivendo p'ra além da verdade.
É tão feliz quem goza tal loucura
Que nem na morte crê, que felicidade!

Encara, rindo, a vida que o tortura,
Sem ver na esmola, a falsa caridade,
Que bem no fundo é só vaidade pura,
Se acaso houver pureza na vaidade.

Já que não tenho, tal como preciso,
A felicidade que esse doido tem
De ver no purgatório um paraíso...

Direi, ao contemplar o seu sorriso,
Ai quem me dera ser doido também
P'ra suportar melhor quem tem juízo.


António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..." 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Bem vindo Fevereiro!


FEVEREIRO 2019
DOMSEGTERQUAQUISEXSÁB
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Fevereiro de 2019 têm 20 dias úteis.
Lua Nova 04   Quarto Crescente 12   Lua Cheia 19   Quarto Minguante 26  


Calendário de culturas - Fevereiro


É altura de preparar as terras para as culturas de Primavera. Devem semear-se as alfaces para depois em Março e Abril transplantar, também é altura de semear, couves, alho francês, nabo, nabiça, pimento, repolho, feijão e tomate, isto no Norte e Centro. A Sul semear, abóbora, cenoura, couves, ervilha, pimento, feijão, nabiça, pepino, tomate e melancia. Transplantar as cebolas que se colhem em Maio e as couves que se semearam em Dezembro e que se vão colher em Junho-Julho. Nas zonas altas e secas semear milho. Plantar batata a colher em Junho. Podar no minguante. Iniciar a enxertia. A rega ajuda na protecção ás geadas. Na horta ainda se pode semear, beterraba, cebola, cenoura, coentros, couve-flor, brócolos, espargos, ervilha, espinafre, fava, rabanete, salsa e segurelha. No jardim semear as flores anuais, ervilhas de cheiro, gipsófilas, manjericos, ciclames, cóleos, sécias,etc..
- A castanha e o besugo, em Fevereiro não têm sumo. 

PROVÉRBIOS DO MÊS DE FEVEREIRO

- A doçura de Fevereiro, faz o dono cavalheiro.
- A dois dias de Fevereiro, sobe ao outeiro: se a candelária chorar, está o Inverno a chegar; se a candelária sorrir, está o Inverno para vir.
- A Fevereiro e ao rapaz perdoa tudo quanto faz, se Fevereiro não for secalhão e o rapaz não for ladrão.
- A neve que em Fevereiro cai das serras, poupa um carro de estrume às vossas terras.
- Água de Fevereiro enche o celeiro.
- Água de Fevereiro mata o onzeneiro.
- Aí vem o meu irmão Março que, de oito só deixa quatro.
- Aí vem o meu irmão Março, que fará o que eu não faço.
- Ao Fevereiro e ao rapaz, perdoa tudo quanto faz.
- Aproveite em Fevereiro quem folgou em Janeiro
- Aveia de Fevereiro enche o celeiro.
- Bons dias em Janeiro enganam o homem em Fevereiro.
- Bons dias em Janeiro, pagam-se em Fevereiro.
- Candelária (2/2) chovida, à candeia dá vida.
- Chuva de Fevereiro mata o onzeneiro.
- Chuva de Fevereiro vale por estrume.
- Chuva em Dia das Candeias(2/2), ano de ribeiras cheias.
- Dia de S. Brás (3), a cegonha verás, e se não a vires o Inverno vem atrás.
- Em dia de S. Matias (24) começam as enxertias.
- Em Fevereiro chega-te ao lameiro.
- Em Fevereiro chuva, em Agosto uva.
- Em Fevereiro enche a velha o fumeiro.
- Em Fevereiro entra o sol em qualquer rigueiro.
- Em Fevereiro mata o teu carneiro.
- Em Fevereiro mete obreiro.
- Em Fevereiro neve e frio, é de esperar calor no estio.
- Em Fevereiro põe o teu fumeiro.
- Em Fevereiro põe o teu porquinho ao sol.
- Em Fevereiro, cada sulco um regueiro.
- Em Fevereiro, chega-te ao lameiro.
- Em Fevereiro, ergue-se o centeio, a aveia enche o celeiro e a perdiz faz-se ao poleiro.
- Em Fevereiro, frio ou quente, chova sempre.
- Em Fevereiro, mete obreiro; pão te comerá, mas obra te fará.
- Em Fevereiro, no primeiro jejuarás, no segundo guardarás, no terceiro dia de S. Brás.
- Em Fevereiro, vai acima ao outeiro: se vires verdejar, põe-te a chorar; se vires terrear, põe-te a cantar.
- Fevereiro afoga a mãe no ribeiro.
- Fevereiro chuvoso faz o ano formoso.
- Fevereiro coxo, em seus dias vinte e oito.
- Fevereiro couveiro faz a perdiz ao poleiro
- Fevereiro é dia, e logo é Santa Maria (2/2).
- Fevereiro é o mais curto mês e o menos cortês.
- Fevereiro enxuto rói mais que todos os ratos do mundo.
- Fevereiro enxuto, rói mais pão do que quantos ratos há no mundo.
- Fevereiro faz dia, e logo Santa Maria (2/2).
- Fevereiro matou a mãe no soalheiro.
- Fevereiro quente, traz o diabo no ventre.
- Fevereiro recoveiro faz a perdiz ao poleiro; Março três ou quatro.
- Fevereiro trocou dois dias por uma tigela de papas.
- Fevereiro, chover.
- Fevereiro, enganou a mãe ao soalheiro.
- Fevereiro, fêveras de frio, e não de linho.
- Fevereiro, o mais curto mês e o menos cortês.
- Fevereiro: rego cheio.
- Janeiro geoso e Fevereiro chuvoso fazem o ano formoso.
- Lá vem Fevereiro, que leva a ovelha e o carneiro.
- Janeiro gioso, Fevereiro nevoso, Março molinhoso, Abril chuvoso, Maio ventoso faz o ano formoso.
- Luar de Janeiro faz sair a galinha do poleiro, lá vem Fevereiro que leva a galinha e o carneiro.
- Neve em Fevereiro não faz bom celeiro.
- Neve em Fevereiro, é como a água carregada num cesteiro.
- Neve que em Fevereiro cai das serras, poupa um carro de estrume às vossas terras.
- O primeiro de Fevereiro jejuarás, o segundo guardarás e o terceiro é dia de S. Brás; semeia o cebolinho e tê-lo-ás.
- O sol de Fevereiro matou a mãe ao soalheiro.
- O tempo de Fevereiro enganou a mãe ao soalheiro.
- Para parte de Fevereiro, guarda a lenha no quinteiro.
- Pelo S. Matias (24), noites iguais aos dias.
- Por S. Brás (3) atirarás.
- Por S. Matias (24) começam as enxertias.
- Por S. Matias (24), antes de Março cinco dias salta da boga na cascalheira.
- Quando a candeia (2) chora, já o Inverno vai fora, quando a candeia ri, ainda o Inverno está para vir.
- Quando Fevereiro não tem grande frio, o vento dominará até ao Estio.
- Quando não chove em Fevereiro, não há bom prado, nem bom centeio.
- Quando não chove em Fevereiro, não há bom prado, nem bom palheiro.
- Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado, nem bom centeio
- Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado, nem bom lameiro, nem bom corno no carneiro.
- Quem andar a gosto, não sai de casa em Fevereiro.
- Quem quiser o alho cabeçudo, planta-o no mês do Entrudo.
- Quem quiser o alho cabeçudo, sache-o pelo Entrudo.
- Quer no começo quer no fundo, em Fevereiro vem o Entrudo.
- Rindo se vai Fevereiro, porque lhe jejuam no seu dia primeiro.
- S. Brás (3) te afogue que Deus não pode.
- Se a Senhora das Candeias (2/2) ri e chora, está o inverno meio dentro e meio fora.
- Se o Inverno não faz o seu dever em Janeiro, faz em Fevereiro.
- Se queres ser bom grãoseiro, semeia-o em Fevereiro.
- Se seco e quente é o mês de Fevereiro, guarda para os cavalos o feno no celeiro.
- Tanta chuva pelas candeias (2/2), tantas abelhas pelas colmeias.
- Tantos dias de geada terá Maio, quantos de nevoeiro teve Fevereiro.
- Vai-te embora Fevereirinho de vinte e oito, que deixaste os meus bezerrinhos todos oito; deixo estes, que
- aí vem Março que de oito deixa quatro.
- Vai-te embora Fevereiro com os teus vinte e oito; se durasses mais quatro, não durava cão nem gato.
- Vai-te embora Fevereiro que levaste o meu cordeiro! Aí vem meu irmão Março que de oito te deixa quatro.
- Vai-te embora Fevereiro, que não me deixaste nenhum cordeiro.
- Vai-te embora irmão Fevereiro que cá fica a minha ovelha com o meu cordeiro; mas lá vem o irmão Março que não deixará ovelha nem farrapo, nem o pastor se for fraco.
- Vale mais no rebanho ter um lobo, que mês de Fevereiro formoso.
- Vale mais uma raposa no galinheiro, que um homem em camisa em Fevereiro.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

O NETO E O AVÔ!

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O NETO E O AVÔ !


Numa tarde, de repente, o neto perguntou: Quantos anos tem, avô ?
E o avô respondeu: Bem, deixa-me pensar um momento...
Nasci antes da televisão, e já crescidinho apareceu, com um único canal e a preto e branco.
Nasci antes das vacinas contra muitas doenças, das comidas congeladas, da fotocopiadora, das lentes de contacto e da pílula anticoncepcional.
Não existiam os cartões de crédito, o raio laser nem os patins on-line.
Não se tinha inventado o ar condicionado, as máquinas de lavar e secar, (as roupas secavam ao vento) e frigoríficos quase ninguém tinha.
Pouca gente tinha automóvel ( contavam-se pelos dedos ) e não havia semáforos por não serem precisos.
O homem nem tinha chegado à lua.
A tua avó e eu casámos e só depois vivemos juntos e em cada família havia um pai e uma mãe.
"Gay" era uma palavra inglesa que significava uma pessoa contente, alegre e divertida, não homossexual.
Das "lésbicas nunca tínhamos ouvido falar e os rapazes não usavam "piercings."
Nasci antes das duplas carreiras universitárias e das terapias de grupo.
Não havia computador, comunicávamos através de cartas, postais e telegramas.
"Mails, chats e Messenger", não existiam. Computadores portáteis ou Internet nem em sonhos...
Estudávamos só por livros e consultávamos enciclopédias e dicionários.
Chamava-se a cada polícia e a cada homem "senhor" e a cada mulher "senhora".
Nos meus tempos a virgindade não produzia cancro.
As nossas vidas eram governadas pelos 10 mandamentos e bom juízo.
Ensinaram-nos a diferenciar o bem do mal e a ser responsáveis pelos nossos actos.
Acreditávamos que "comida rápida" era o que comíamos quando estávamos com pressa.
Ter um bom relacionamento, queria dizer dar-se bem com a família e amigos.
Tempo compartilhado, significava que a família compartilhava as férias juntos.
Ninguém conhecia telefones sem fios e muito menos os telemóveis.
Nunca tínhamos ouvido falar de música estereofónica, rádios FM, Fitas, cassetes, CDs, DVDs, máquinas de escrever eléctricas, calculadoras
"Notebook" era um livro de anotações.
"Ficar" dizia-se quando pessoas ficavam juntas como bons amigos.
Aos relógios dava-se corda todos os dias, mesmo aos de pulso.
Não existia nada digital, nem os relógios nem os indicadores com números luminosos dos marcadores de jogos, nem as máquinas.
Falando de máquinas, não existiam as cafeteiras eléctricas, ferros de passar eléctricos, os fornos microondas nem os rádios-relógios despertadores. Para não falar dos vídeos ou VHF, ou das máquinas de filmar minúsculas de hoje...
As fotos não eram instantâneas e nem coloridas. Eram a branco e preto e a sua revelação demorava mais de três dias. As de cores não existiam e quando apareceram, a sua revelação era muito cara e demorada.
Se nos artigos lêssemos "Made in Japan", não se considerava de má qualidade e não existia "Made in Korea", nem "Made in Taiwan", nem "Made in China".
Não se falava de "Pizza Hut" ou "McDonald's", nem de café instantâneo.
Havia casas onde se compravam coisas por 5 e 10 centavos. Os sorvetes, os bilhetes de autocarros e os refrigerantes, que se chamavam pirolitos, tudo custava 10 centavos.
No meu tempo, "erva" era algo que se cortava e não se fumava.
"Hardware" era uma ferramenta e "software" não existia.
Fomos a última geração que acreditou que uma senhora precisava de um marido para ter um filho .
Agora diz-me, quantos anos achas que tenho ?
- Meu Deus, Avô ! Mais de 200 ! (disse o neto).
- Não, querido. Tenho 66.