Batalha do Bussaco
como há 200 anos
como há 200 anos
Reconstituição histórica foi uma verdadeira aula ao vivo, com canhões, cheiro de pólvora e muitos gritos dos 150 recriadores
Às 11 da manhã começou a batalha. De um lado as forças francesas, do outro o exército anglo-luso, que, após uma hora de intenso combate, acabaria por obrigar as tropas napoleónicas a recuar. Estava, assim, assinalado o bicentenário da Batalha do Bussaco, que teve lugar ontem, junto às Portas de Sula, precisamente no local onde, há 200 anos, se travou o principal combate da batalha.
A reprodução foi fiel aos acontecimentos da data. Por isso, quem assistiu, e foram muitos os espectadores, levou para casa uma verdadeira lição de história.
No campo da batalha, os cerca de 150 soldados dividiam-se. De um lado a aliança portuguesa e inglesa, comandada por Wellington, do outro os franceses liderados por Massena. Ouviam-se instruções de quem comandava as operações. Canhões e espingardas disparavam sem dar tréguas aos ouvidos de quem assistia. E de um lado e do outro, os soldados tombavam, à medida que iam sendo atingidos.
A luta corpo a corpo também teve lugar, com muitos gritos à mistura, e até os camponeses se juntaram às tropas portuguesas, lutando com as “armas” que tinham, os seus instrumentos agrícolas.
À medida que a batalha decorria, os franceses perdiam terreno, tal como aconteceu há 200 anos. «A grande luta é agora», dizia alguém que assistia à reconstituição histórica. Os franceses carregavam as armas, como que para o derradeiro combate, que os iria obrigar a abandonar o campo de batalha. Avançaram no terreno e perderam. «É a retirada, vão (os franceses) retirar», ouvia-se de um espectador. E assim foi, pouco depois.
Na assistência, pai e filho seguiam, com entusiasmo, o desenrolar dos acontecimentos, com o primeiro a ir “contando” a história que aconteceu em 1810. «Eles (franceses) queriam ganhar o país todo, mas nas guerras tem de se conquistar a capital e eles não chegaram lá, a Lisboa», explicava o progenitor.
Os mesmo fatos, a mesma táctica
O que ontem se viu no Bussaco foi exactamente, embora numa outra escala, «o que aconteceu há 200 anos», explicou o presidente da Associação Napoleónica Portuguesa. Devidamente trajado e participativo, Faria e Silva fez questão de sublinhar o rigor colocado na reconstituição. «Estamos no local onde existiu o segundo grande ataque do exército francês», explicou.
Na reconstituição histórica da Batalha do Bussaco participaram as associações napoleónicas de Portugal, França e Inglaterra, com 150 recriadores. «Recriadores, não figurantes», frisou, dando conta que se trata de pessoas que estudaram «a história, a maneira de estar, os regulamentos da época» e outros aspectos, que permitiram «reproduzir o mais fielmente possível o que aconteceu». E até os fatos «são de lã» e «não de nylon e outras fibras» que se usam actualmente.
Os espectadores, garantiu Faria e Silva, «embarcaram numa máquina do tempo» e assistiram a uma verdadeira «lição de história», que vale mais do que qualquer congresso ou aula. «Sentiram o cheiro da pólvora, ouviram os gritos dos soldados e dos canhões, que é impossível mostrar numa sala de aula», frisou. E até a táctica de combate usada foi a mesma que Wellington utilizou há dois séculos e que lhe permitiu travar o avanço das forças francesas em direcção a Lisboa. «Os franceses atacaram de baixo para cima. Wellington aproveitou o terreno para atacar, obrigando os franceses a subirem», explicou.
A reconstituição histórica é apenas uma das várias iniciativas que a Câmara da Mealhada tem vindo a promover ao longo do ano, com especial incidência neste mês de Setembro. Um calendário «rico em iniciativas, que prende assinalar, da forma mais nobre, um acontecimento que, não marcou só a História de Portugal, mas as gentes do concelho da Mealhada e da região», refere a autarquia. O presidente da Câmara, Carlos Cabral, que assistiu às comemorações, lembrou, precisamente, que a Batalha do Bussaco foi «um acontecimento muito significativo» para o concelho, pelo que o calendário das iniciativas é também ele «significativo e com significado». l
Cavaco Silva participa
hoje nas comemorações
Depois da reconstituição histórica de ontem, hoje decorrem as cerimónias militares e protocolares das comemorações dos 200 anos da Batalha do Bussaco, que contam com a participação do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
O Chefe de Estado deverá chegar ao Bussaco pelas 10h00, para assistir às comemorações promovidas pelo Exército Português, e que contam também com a participação do ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, chefe do Estado Maior do Exército, general José Luís Pinto Ramalho, bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, e o duque de Kent, em representação da Coroa Britânica.
O programa começa pelas 8h45, com o hastear das bandeiras nacionais de Portugal, Reino Unido e França, junto ao monumento comemorativo da Batalha do Bussaco, seguindo-se uma missa campal, no jardim do Palace Hotel. A cerimónia militar decorre às 10h30, junto ao monumento, seguindo-se uma evocação da batalha, uma visita ao Museu Militar do Bussaco e a inauguração da exposição “Linhas de Defesa de Lisboa durante a Guerra Peninsular – a arte e o engenho de fortificar parou a invasão de Massena”, no Convento de Santa Cruz do Bussaco.
Tendo em conta a fluência de espectadores prevista, o trânsito vai estar interrompido durante as cerimónias, nomeadamente nas vias de acesso à Cruz Alta, ao monumento comemorativo e à Mata Nacional do Bussaco.
A reprodução foi fiel aos acontecimentos da data. Por isso, quem assistiu, e foram muitos os espectadores, levou para casa uma verdadeira lição de história.
No campo da batalha, os cerca de 150 soldados dividiam-se. De um lado a aliança portuguesa e inglesa, comandada por Wellington, do outro os franceses liderados por Massena. Ouviam-se instruções de quem comandava as operações. Canhões e espingardas disparavam sem dar tréguas aos ouvidos de quem assistia. E de um lado e do outro, os soldados tombavam, à medida que iam sendo atingidos.
A luta corpo a corpo também teve lugar, com muitos gritos à mistura, e até os camponeses se juntaram às tropas portuguesas, lutando com as “armas” que tinham, os seus instrumentos agrícolas.
À medida que a batalha decorria, os franceses perdiam terreno, tal como aconteceu há 200 anos. «A grande luta é agora», dizia alguém que assistia à reconstituição histórica. Os franceses carregavam as armas, como que para o derradeiro combate, que os iria obrigar a abandonar o campo de batalha. Avançaram no terreno e perderam. «É a retirada, vão (os franceses) retirar», ouvia-se de um espectador. E assim foi, pouco depois.
Na assistência, pai e filho seguiam, com entusiasmo, o desenrolar dos acontecimentos, com o primeiro a ir “contando” a história que aconteceu em 1810. «Eles (franceses) queriam ganhar o país todo, mas nas guerras tem de se conquistar a capital e eles não chegaram lá, a Lisboa», explicava o progenitor.
Os mesmo fatos, a mesma táctica
O que ontem se viu no Bussaco foi exactamente, embora numa outra escala, «o que aconteceu há 200 anos», explicou o presidente da Associação Napoleónica Portuguesa. Devidamente trajado e participativo, Faria e Silva fez questão de sublinhar o rigor colocado na reconstituição. «Estamos no local onde existiu o segundo grande ataque do exército francês», explicou.
Na reconstituição histórica da Batalha do Bussaco participaram as associações napoleónicas de Portugal, França e Inglaterra, com 150 recriadores. «Recriadores, não figurantes», frisou, dando conta que se trata de pessoas que estudaram «a história, a maneira de estar, os regulamentos da época» e outros aspectos, que permitiram «reproduzir o mais fielmente possível o que aconteceu». E até os fatos «são de lã» e «não de nylon e outras fibras» que se usam actualmente.
Os espectadores, garantiu Faria e Silva, «embarcaram numa máquina do tempo» e assistiram a uma verdadeira «lição de história», que vale mais do que qualquer congresso ou aula. «Sentiram o cheiro da pólvora, ouviram os gritos dos soldados e dos canhões, que é impossível mostrar numa sala de aula», frisou. E até a táctica de combate usada foi a mesma que Wellington utilizou há dois séculos e que lhe permitiu travar o avanço das forças francesas em direcção a Lisboa. «Os franceses atacaram de baixo para cima. Wellington aproveitou o terreno para atacar, obrigando os franceses a subirem», explicou.
A reconstituição histórica é apenas uma das várias iniciativas que a Câmara da Mealhada tem vindo a promover ao longo do ano, com especial incidência neste mês de Setembro. Um calendário «rico em iniciativas, que prende assinalar, da forma mais nobre, um acontecimento que, não marcou só a História de Portugal, mas as gentes do concelho da Mealhada e da região», refere a autarquia. O presidente da Câmara, Carlos Cabral, que assistiu às comemorações, lembrou, precisamente, que a Batalha do Bussaco foi «um acontecimento muito significativo» para o concelho, pelo que o calendário das iniciativas é também ele «significativo e com significado». l
Cavaco Silva participa
hoje nas comemorações
Depois da reconstituição histórica de ontem, hoje decorrem as cerimónias militares e protocolares das comemorações dos 200 anos da Batalha do Bussaco, que contam com a participação do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
O Chefe de Estado deverá chegar ao Bussaco pelas 10h00, para assistir às comemorações promovidas pelo Exército Português, e que contam também com a participação do ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, chefe do Estado Maior do Exército, general José Luís Pinto Ramalho, bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, e o duque de Kent, em representação da Coroa Britânica.
O programa começa pelas 8h45, com o hastear das bandeiras nacionais de Portugal, Reino Unido e França, junto ao monumento comemorativo da Batalha do Bussaco, seguindo-se uma missa campal, no jardim do Palace Hotel. A cerimónia militar decorre às 10h30, junto ao monumento, seguindo-se uma evocação da batalha, uma visita ao Museu Militar do Bussaco e a inauguração da exposição “Linhas de Defesa de Lisboa durante a Guerra Peninsular – a arte e o engenho de fortificar parou a invasão de Massena”, no Convento de Santa Cruz do Bussaco.
Tendo em conta a fluência de espectadores prevista, o trânsito vai estar interrompido durante as cerimónias, nomeadamente nas vias de acesso à Cruz Alta, ao monumento comemorativo e à Mata Nacional do Bussaco.
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