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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Poesia matinal

As Vozes e Gritos


Berro como uma Cabra
Que chama ou dá alerta
Sem que a boca se abra
Regouga a Raposa esperta

Zumbe Abelha e Mosquito
Palra Papagaio e Pega
Serpente de Silvo esquisito
E Chia a Toupeira cega

Canta o Grilo enlutado
Encanta o canto do Canário
Canta Cigarra no prado
Rouxinol cantor lendário

Verão do Chilrear das Andorinhas
Do Chio e Guincho dos Coelhos
Chiam as fedorentas Doninhas
Dos Zurros dos Burros velhos

Cotovia no alto de sua melodia
Inspira a Galinha que Cacareja
No alto da torre a Coruja Pia
Fazendo cantar o Galo de inveja

A Hiena Uiva e Chora
O Lobo Uiva mas não Ri
Cão que Ladra a toda hora
Na perseguição ao Javali

Javali que Grunhe, Rosna e Ronca
Ruge Tigre, Muge Bezerro e Vaca
Leão Ruge e Urra longe da bronca
Touro é na força que se destaca

Camelo ou Dromedário Blatera
Tigre, Urso, Leão e Elefante
Ruge ou Brame a perigosa fera
Pomba Arrulha com seu amante

Se o Bode Bodeja
E o Canário Canta e Trina
O Burro Zurra e Orneja
Cavalo Relincha sacudindo a crina

Pavão e Cegonha também Grita
Como a Cigarra Canta e Fretene
O Corvo Grasna e Crocita
A Rã Coaxa e a Rola Geme

Grasna Gaio, Gralha e Pato
Chilreia Andorinha e Pardal
Ronrona de ternura o Gato
O Cuco Cucula num pinheiral

Bodeja, Gorjeia, Muge e Zumbe
Late, Relincha, Uiva e Grita
Vozes que a Natureza funde
Sons em que a espécie acredita

Cantos, Falas e palavrões
Guinchos Pios e Grugulejos
Gruguleja Peru, Pupilam os Pavões
Arrolam os Pombos em beijos

Fala o Homem no seu trabalho
Cochicha com a Pega tagarela
Guincha Macaco, galho em galho
O Homem prende-o a uma trela

Falando formam o ser social
Sofisticam a sua linguagem
Caçam e matam muito animal
Cobardes desprezam sua linhagem

Assim nasceu o Grito
O Pio, Grunhido e Berro
O Choro e o Uivo aflito
No Homem o Berro, é desespero


Carlos Alberto

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