quarta-feira, 16 de setembro de 2015

A 16 de Setembro de 1990 - Morreu Ângelo Veloso



Ângelo Veloso, um destacado revolucionário e dirigente do PCP, membro da sua Comissão Política! Morreu há 25 anos!
Ângelo Veloso nasceu no Porto a 1 de novembro de 1930 e morreu em Lisboa a 16 de setembro de 1990, com 69 anos, foi um dos mais destacados militantes e dirigentes do PCP, membro da sua Comissão política do Comité Central!
Natural do Porto, onde nasceu a Ângelo Veloso ingressou na universidade daquela cidade e, posteriormente, transferiu-se para Lisboa, onde se destaca no movimento político estudantil, continuando, aliás, a actividade já iniciada no MUD – Juvenil.
Em 1949, adere ao PCP e em 1950 é preso pela primeira vez. Cinco anos depois, a PIDE voltaria a encarcerá-lo, quando já integrava a Comissão Central do MUD – Juvenil. É julgado junto com outros 82 antifascistas.
Em 1959 passa a funcionário do Partido e mergulha na clandestinidade. Assume sucessivamente o controlo de organizações em Lisboa e Vale do Tejo. Em 1966 é cooptado para o Comité Central como suplente e em 1967 passa a membro efectivo.
Preso pela terceira vez em 1969, só viria a ser libertado em 1974. Já em liberdade, dedica-se à construção do Portugal de Abril e ao desmantelamento do aparelho fascista, primeiro na Organização Regional do Norte e depois na do Porto.
No VIII Congresso do PCP é eleito membro suplente da Comissão Política, e no X Congresso passa a membro efectivo daquele órgão executivo, no qual se mantém até ao XIII Congresso (Extraordinário).
Ângelo Veloso foi deputado à Assembleia Constituinte e à Assembleia da República, e em 1985 foi candidato à presidência da República.
Afastado precocemente da luta do seu Partido, Ângelo Veloso permanece um exemplo para todos os que prosseguem o combate pelo socialismo e o comunismo, projecto ao qual dedicou a vida inteira, ao lado do povo resistindo ao fascismo e na construção e defesa de Abril.
Se fosse vivo, o histórico dirigente do PCP faria, no próximo dia 1 de Novembro, 85 anos de vida.
A morte que tantas vezes enfrentou com desassombro, quer na clandestinidade quer nos cárceres fascistas, levou-o aos 59 anos. A 17 de Setembro de 1990, milhares de camaradas acompanharam o seu corpo ao cemitério do Alto de São João.
O cortejo de mais de uma hora iniciado no CT de Alcântara foi uma celebração da vida que, desde cedo, Ângelo Veloso escolheu – a militância comunista, à qual regressava sempre, de cabeça erguida e com entusiasmo, após anos de reclusão e torturas nas prisões fascistas.
Ângelo Veloso era «um homem com a profunda e justa convicção de que para servir o povo e o País vale a pena ser comunista. (…). Faz-nos falta, muita falta. Ele sabia porém alguma coisa muito importante como todos nós sabemos: se o caminho da luta é inevitavelmente marcado por vidas que se apagam, a força do nosso Partido incessantemente se renova (…) com novos camaradas que empunham com decisão o testemunho que lhes passam os que desaparecem por virtude das leis da natureza. Ele sabia, como todos nós sabemos, que a luta é também por si fonte de energia e fonte de vida».
As palavras de Álvaro Cunhal, proferidas durante as cerimónias fúnebres, conservam aguda actualidade. Por isso, olhando para o percurso de Ângelo Veloso, os comunistas de hoje não apenas o saúdam como dele retiram experiências valiosas e força para a acção revolucionária.