sexta-feira, 20 de novembro de 2015

A 20 de Novembro de 1934 - Nasceu Francisco Ibáñez Gorostidi, mais conhecido por Paco Ibáñez



Francisco Ibáñez Gorostidi, mais conhecido por Paco Ibáñez, nasceu em Valencia a 20 de novembro de 1934, é um destacado cantor espanhol.
Dedicou quase integralmente a sua trajectória artística a musicalizar poemas de autores espanhois e hispano-americanos, tanto clássicos como contemporâneos.
O seu pai era valenciano e a sua mãe basca. A sua infância decorreu em Barcelona e depois da guerra civil teve de ir para Paris com a sua família, pois o seu pai era militante do CNT. Por este motivo, foi detido e colocado num campo de trabalho para republicanos espanhois. Por este facto Paco viajou com a sua mãe para San Sebastián, onde permaneceram na casa da sua família.
Em 1948 a familia reune-se com o pai e instalam-se de novo em Paris.
Paco aprende o oficio do seu pai, que era ebanista e aprende a tocar violino, mudando passado pouco tempo para a guitarra.
Em Paris descobre os cantores Georges Brassens e de Atahualpa Yupanqui, assim como o movimento existencialista francês.
Em 1964 faz a sua primeira gravação, musicando poemas de Góngora e de García Lorca, que em seguida foram utilizados como material pedagógico pelos professores de literatura espanhola.
Em 1966 funda em Paris, com um grupo de artistas e intelectuais, “La Carraca”, um espaço para realizar actos em lingua castelhana, e em 1967 sai o seu segundo disco, “España de hoy y de siempre”, com poemas de Rafael Alberti, Miguel Hernández e outros. A casa da sua família em Paris é visitada constantemente por políticos e intelectuais espanhóis.
No ano de 1968 tem lugar o seu primeiro concerto em Espanha, que se faz em Manresa, na provincia de Barcelona.
Depois, começa a actuar especialmente em universidades, instalando-se em Barcelona, onde reside actualmente. Na cidade condal uma grande amizade com o escritor José Agustín Goytisolo.
Em 1969 faz um concerto na Sorbonne em Paris e nos finais desse mesmo ano actua no Olympia de París, saindo o seu terceiro disco.
No ano seguinte, em Paris, conhece Pablo Neruda, que lhe pede para cantar os seus poemas.
Em 1971 é censurado pelo governo franquista, que o proibe de celebrar recitais. A perseguição que sofre faz com que tenha de deixar Barcelona e ir novamente para Paris. Depois da morte do fascista Franco permaneceu na capital francesa mais uns anos antes de regressar, mas colaborou com alguns actos do CNT e outros concertos.
Paco conseguiu importantes distinções. Em 1983, o governo francês outorgou-lhe a Medalha da Ordem das Artes e Letras, que o cantor recusou, explicando o motivo de não a aceitar: "Um artista tem de ser livre nas ideias que pretende defender. À primeira concessão perdes parte da tua liberdade.
A única autoridade que reconheço é a do público e o melhor prémio são os aplausos que se leva para casa."

Discografia:
1964 - Paco Ibáñez 1
1967 - Paco Ibáñez 2
1969 - Paco Ibáñez 3
1969 - Paco Ibáñez no Olympia (Disco duplo)
1969 - The Fantastic Carmela Sings Latin American Folklore com Paco Ibáñez e a sua Orquesta
1977 - Paco Ibáñez interpreta Pablo Neruda - Quarteto Cedrón interpreta Raúl González Tuñón
1978 - A flor do tempo
1979 - Paco Ibáñez canta Brassens
1990 - Por uma canção
1992 - A galopar (Disco duplo)
1998 - Oroitzen
2002 - Paco Ibáñez canta José Agustín Goytisolo
2003 – Foi ontem
2004 - Paco Ibáñez em concerto (Palau da Música. Barcelona. Outubro 2002)
Espanha de hoje e de sempre (nome da colecção com que se publicaram os primeiros discos).
2008 - Paco Ibáñez canta os poetas andaluzes
2012 - Paco Ibáñez canta os poetas latino-americanos



Cuando ya nada se espera personalmente exaltante,
mas se palpita y se sigue más acá de la conciencia,
fieramente existiendo, ciegamente afirmado,
como un pulso que golpea las tinieblas,

cuando se miran de frente
los vertiginosos ojos claros de la muerte,
se dicen las verdades:
las bárbaras, terribles, amorosas crueldades.

Se dicen los poemas
que ensanchan los pulmones de cuantos, asfixiados,
piden ser, piden ritmo,
piden ley para aquello que sienten excesivo.

Con la velocidad del instinto,
con el rayo del prodigio,
como mágica evidencia, lo real se nos convierte
en lo idéntico a sí mismo.

Poesía para el pobre, poesía necesaria
como el pan de cada día,
como el aire que exigimos trece veces por minuto,
para ser y en tanto somos dar un sí que glorifica.

Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos dejan
decir que somos quien somos,
nuestros cantares no pueden ser sin pecado un adorno.
Estamos tocando el fondo.

Maldigo la poesía concebida como un lujo
cultural por los neutrales
que, lavándose las manos, se desentienden y evaden.
Maldigo la poesía de quien no toma partido hasta mancharse.

Hago mías las faltas. Siento en mí a cuantos sufren
y canto respirando.
Canto, y canto, y cantando más allá de mis penas
personales, me ensancho.

Quisiera daros vida, provocar nuevos actos,
y calculo por eso con técnica qué puedo.
Me siento un ingeniero del verso y un obrero
que trabaja con otros a España en sus aceros.

Tal es mi poesía: poesía-herramienta
a la vez que latido de lo unánime y ciego.
Tal es, arma cargada de futuro expansivo
con que te apunto al pecho.

No es una poesía gota a gota pensada.
No es un bello producto. No es un fruto perfecto.
Es algo como el aire que todos respiramos
y es el canto que espacia cuanto dentro llevamos.

Son palabras que todos repetimos sintiendo
como nuestras, y vuelan. Son más que lo mentado.
Son lo más necesario: lo que no tiene nombre.
Son gritos en el cielo, y en la tierra son actos.

Gabriel Celaya