quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A 25 de Novembro de 1845 - Nasceu José Maria de Eça de Queirós



José Maria de Eça de Queirós, mais conhecido por Eça de Queirós, nasceu na Póvoa de Varzim a 25 de novembro de 1845 e morreu em Paris/França a 16 de agosto de 1900, com 54 anos, é um dos mais importantes escritores portugueses da história.
Foi autor, de romances de reconhecida importância, como “Os Maias” e “O crime do Padre Amaro”; este último é considerado por muitos o melhor romance realista português do século XIX.
Eça de Queirós nasceu numa casa da Praça do Almada, na Póvoa de Varzim, no centro da cidade. Filho de José Maria Teixeira de Queirós, nascido no Rio de Janeiro em 1820 e de Carolina Augusta Pereira d'Eça, nascida em Monção em 1826.
O pai de Eça de Queirós, magistrado e par do reino, convivia regularmente com Camilo Castelo Branco, quando este vinha à Póvoa para se divertir no Largo do Café Chinês.
Eça de Queirós foi baptizado como «filho natural de José Maria d'Almeida de Teixeira de Queirós e a mãe era Carolina Augusta Pereira de Eça».
Uma das teses para tentar justificar o facto dos pais do escritor não se terem casado antes do nascimento deste, é que Carolina Augusta Pereira de Eça não teria obtido o necessário consentimento da parte da sua mãe, já viúva do coronel José Pereira de Eça. De facto, seis dias após a morte da avó que a isso se oporia, os pais de Eça de Queirós casaram-se, quando o menino tinha quase quatro anos.
Eça, por sua vez, apresenta episódios incestuosos em criança relatados no diário de sua prima.
Por via dessas contingências foi entregue a uma ama, aos cuidados de quem ficou até passar para a casa de Verdemilho em Aradas, Aveiro, a casa da sua avó paterna.
Nessa altura, foi internado no Colégio da Lapa, no Porto, de onde saiu em 1861, com dezasseis anos, para a Universidade de Coimbra, onde estudou Direito. Além do escritor, os pais teriam mais seis filhos.
O pai foi juiz instrutor do célebre processo de Camilo Castelo Branco, juiz da Relação e do Supremo Tribunal de Justiça, presidente do Tribunal do Comércio, deputado por Aveiro, fidalgo cavaleiro da Casa Real, par do Reino e do Conselho de Sua Majestade. Foi ainda escritor e poeta.
Em Coimbra, Eça foi amigo de Antero de Quental.
Os seus primeiros trabalhos, publicados na revista "Gazeta de Portugal", foram depois coligidos em livro, publicado postumamente com o título Prosas Bárbaras.
Em 1866, Eça de Queirós terminou a Licenciatura em Direito na Universidade de Coimbra e passou a viver em Lisboa, exercendo a advocacia e o jornalismo.
Foi director do periódico O Distrito de Évora e colaborou em publicações periódicas como a Renascença (1878-1879?), A Imprensa (1885-1891), Ribaltas e gambiarras (1881) e postumamente na Revista de turismo iniciada em 1916 e na Feira da Ladra (1929-1943).
Porém, continuaria a colaborar esporadicamente em jornais e revistas ocasionalmente durante toda a vida.
Mais tarde fundaria a Revista de Portugal.
Em 1869 e 1870, Eça de Queirós fez uma viagem de seis semanas ao Oriente (de 23 de outubro de 1869 a 3 de janeiro de 1870), em companhia de D. Luís de Castro, 5.º conde de Resende, irmão da sua futura mulher, D. Emília de Castro, tendo assistido no Egipto à inauguração do canal do Suez: os jornais do Cairo referem «Le Comte de Rezende, grand amiral de Portugal et chevalier de Queirós».
Visitaram, igualmente, a Palestina. Aproveitou as notas de viagem para alguns dos seus trabalhos, o mais notável dos quais o “O mistério da estrada de Sintra”, em 1870, e “A relíquia”, publicado em 1887.
Em 1871, foi um dos participantes das chamadas Conferências do Casino.
Em 1870 ingressou na Administração Pública, sendo nomeado administrador do concelho de Leiria.
Foi enquanto permaneceu nesta cidade, que Eça de Queirós escreveu a sua primeira novela realista, “O Crime do Padre Amaro”, publicada em 1875.
Tendo ingressado na carreira diplomática, em 1873 foi nomeado cônsul de Portugal em Havana.
Os anos mais produtivos da sua carreira literária foram passados em Inglaterra, entre 1874 e 1878, durante os quais exerceu o cargo em Newcastle e Bristol. Escreveu então alguns dos seus trabalhos mais importantes, como “A Capital”, escrito numa prosa hábil, plena de realismo.
Manteve a sua actividade jornalística, publicando esporadicamente no Diário de Notícias, em Lisboa, a rubrica «Cartas de Inglaterra».
Mais tarde, em 1888 seria nomeado cônsul em Paris.
O seu último livro foi “A Ilustre Casa de Ramires”, sobre um fidalgo do século XIX com problemas para se reconciliar com a grandeza da sua linhagem. É um romance imaginativo, entremeado com capítulos de uma aventura de vingança bárbara que se passa no século XII, escrita por Gonçalo Mendes Ramires, o protagonista.
Trata-se de uma novela chamada “A Torre de D. Ramires”, em que antepassados de Gonçalo são retratados como torres de honra sanguínea, que contrastam com a lassidão moral e intelectual do rapaz.
Aos 40 anos casou com Emília de Castro, com quem teve 4 filhos: Alberto, António, José Maria e Maria.
Morreu em 16 de Agosto de 1900 na sua casa de Neuilly-sur-Seine, perto de Paris.
Teve um funeral de Estado, foi sepultado noCemitério dos Prazeres em Lisboa, mas mais tarde foi transladado para o cemitério de Santa Cruz do Douro em Baião.
Foi também o autor da Correspondência de Fradique Mendes e A Capital, obra cuja elaboração foi concluída pelo filho e publicada, postumamente, em 1925.
Fradique Mendes, aventureiro fictício imaginado por Eça e Ramalho Ortigão, aparece também no Mistério da Estrada de Sintra.
Os seus trabalhos foram traduzidos em aproximadamente vinte línguas.