quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A 26 de Novembro de 1911 - Nasceu Mário Lago



Mário Lago nasceu no Rio de Janeiro/Brasil a 26 de novembro de 1911 e morreu no Rio de Janeiro/Brasil a 30 de maio de 2002, foi um advogado, poeta, radialista, compositor e actor brasileiro.
Autor de sambas populares como "Ai, que saudades da Amélia" e "Atire a primeira pedra", ambos em parceria com Ataulfo Alves, fez-se popular entre as décadas de 1940 e 50.
Filho do maestro António Lago e de Francisca Maria Vicencia Croccia Lago e neto do anarquista e flautista italiano Giuseppe Croccia, formou-se em Direito pela Universidade do Brasil, em 1933, tendo-se nesta época tornado marxista. A opção pelas ideias comunistas fizeram com que fosse preso em sete ocasiões - 1932, 1941, 1946, 1949, 1952, 1964 e 1969.
Foi casado com Zeli, filha do militante comunista Henrique Cordeiro, que conhecera numa manifestação política, até a morte dela em 1997.
O casal teve cinco filhos: António Henrique, Graça Maria, Mário Lago Filho, Luís Carlos (em homenagem ao líder comunista Luís Carlos Prestes) e Vanda.
Começou pela poesia e teve seu primeiro poema publicado aos 15 anos.
Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na década de 30, na então Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, actual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde iniciou a sua militância política no Centro Académico Cândido de Oliveira, então fortemente influenciado pelo Partido Comunista do Brasil, PCB.
Durante a década de 1930, a então principal Faculdade de Direito da capital da República era um celeiro de arte aliada à política, onde estudaram Lago e seus contemporâneos Carlos Lacerda, Jorge Amado, Lamartine Babo entre outros.
Depois de licenciado, exerceu a profissão de advogado por apenas alguns meses. Envolveu-se com o teatro de revista, escrevendo, compondo e actuando. A sua estreia como letrista de música popular foi com "Menina, eu sei de uma coisa", parceria com Custódio Mesquita, gravada em 1935 por Mário Reis. Três anos depois, Orlando Silva realizou a famosa gravação de "Nada além", da mesma dupla de autores.
As suas composições mais famosas são "Ai que saudades da Amélia", "Atire a primeira pedra", ambas em parceria com Ataulfo Alves; "É tão gostoso, seu moço", com Chocolate, "Número um", com Benedito Lacerda, o samba "Fracasso" e a marcha carnavalesca "Aurora", em parceria com Roberto Roberti, que ficou consagrada na interpretação de Carmen Miranda.
Em "Amélia", a descrição daquela mulher idealizada, ficou tão popular que "Amélia" se tornou sinónimo da mulher submissa, resignada e dedicada aos trabalhos domésticos.
Na Rádio Nacional, Mário Lago foi actor de Rádio, actuou na radionovela, especial da Semana Santa em 27 de Março de 1959: A Vida de Nosso Senhor jesus Cristo, interpretando Herodes, e também roteirista, escrevendo a radionovela "Presídio de Mulheres".
Mas só ficou conhecido do grande público mais tarde, pela televisão, quando passou a actuar em telenovelas da Rede Globo, como "Selva de Pedra", "O Casarão", "Nina", "Elas por Elas" e "Barriga de Aluguel", entre outras. Também actuou em peças de teatro e filmes, como "Terra em Transe", de Glauber Rocha.
Mário esteve na União Soviética, em 1957, a convite da Radio Moscovo.
Em 1964, foi um dos nomes a encabeçar a lista dos que tiveram seus direitos políticos suspensos pelo regime militar e perdeu as suas funções na Rádio Nacional.
Durante a segunda metade da década de 1960, Mário Lago passou a aparecer com frequência no cinema, participando com actuações marcantes em filmes importantes como O Padre e a Moça, Os Herdeiros e Pedro Diabo Ama Rosa Meia-Noite.
Na década de 1970, iniciou uma carreira de sucesso como actor de telenovelas, com destaque para Cavalo de Aço e O Casarão.
Em 1989, ligou-se ao Partido dos Trabalhadores e actuou como âncora dos programas eleitorais do então candidato do partido, Luís Inácio Lula da Silva, à presidência da República, em 1998.
Autor dos livros Chico Nunes das Alagoas (1975), Na Rolança do Tempo (1976), Bagaço de Beira-Estrada (1977) e Meia Porção de Sarapatel (1986), foi biografado em 1998 por Mónica Velloso na obra: Mário Lago: boémia e política.
No carnaval de 2001, Mário Lago foi tema do desfile da escola de samba Académicos de Santa Cruz.
Em dezembro de 2001, recebeu uma homenagem especial pela sua carreira durante a entrega do Melhores do Ano do Domingão do Faustão, que, no ano seguinte, ganharia o nome de Troféu Mário Lago, sendo anualmente concedido aos grandes nomes da teledramaturgia.
Na sua última entrevista ao Jornal do Brasil, Mário revelou que estava escrevendo sua própria biografia. Estava certo de que chegaria aos 100 anos, dizia Mário, "Fiz um acordo com o tempo. Nem ele me persegue, nem eu fujo dele".
Morreu no dia 30 de maio de 2002, aos noventa anos de idade, em sua casa, na Zona Sul do Rio de Janeiro, de enfisema pulmonar.
Para o velório foi aberto o palco do Teatro João Caetano onde vivera importantes momentos de sua carreira de actor.
Até ao fim de sua vida manteve intensa actividade política e mesmo doente chegou a participar na campanha presidencial apoiando o então candidato Luís Inácio Lula da Silva. Encontra-se sepultado no Cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro.