quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

A 28 de Janeiro de 1898 - Nasceu Vasco Santana



Nasceu em Lisboa a 28 de Janeiro de 1898, cidade em que também faleceu no dia de Santo António de 1958, numa família de vida desafogada. Era filho de Henrique Santana, também homem do Teatro, autor e empresário, e de Maria Filomena Rodrigues; do sue casamento com Arminda Martins nasceu um outro Henrique Santana, igualmente festejado autor, encenador e actor.
Apesar de ter actuado em várias récitas de amadores, seguia os seus estudos na Escola de Belas Artes quando o destino o fez entrar de supetão na vida artística: pintaram-no, vestiram-no com o traje de "compère" e empurraram-no para o palco do Teatro Avenida para substituir um actor que adoecera (1917;revista O Beijo de Arnaldo Leite e Carvalho Barbosa).
Depois, foi um nunca acabar: em Lisboa e no Porto, em digressões pela Província e pelo Brasil, Vasco Santana distribuiu a rodos o talento o talento e a graça de que era dotado. Foi um actor multifacetado no Cinema, na Rádio e no Teatro, chegando neste último caso a enveredar pelo campo da escrita como tradutor e autor de comédias e como argumentista de filmes.

VASCO SANTANA NO PALCO E NA VIDA

Ao olhar o rotundo Vasco Santana, ninguém diria que estava frente a uma das figuras mais marcantes do espectáculo português nas décadas 20, 30, 40 e 50 do século XX. Bastava-lhe entrar no palco ou dar um ar da sua graça para de imediato a assistência rebentar em gargalhadas !
Da sua estreia em 1917 na revista O Beijo, até 1957 quando interpretou na revista Há Horas Felizes a figura de Churchil, o herói britânico da II Grande Guerra, há principalmente um mundo de figuras populares, de "compères" de linguagem oportuna, endiabrada, picante e crítica, que fazia vibrar a assistência, tal como acontecia com as figuras que interpretou em comédias, um género em que excedia todas as expectativas.
O mesmo aconteceu no cinema, mesmo quando não era o único herói da "fita". À vontade, voz inconfundível, caracterização perfeita em qualquer papel que interpretasse, criaram "bonecos" que para sempre ficaram no imaginário do espectador, num tempo que nos parece longínquo mas que afinal continua tão perto de nós.
Quem é que se não recorda das fanfarronices, "habilidades" e conchegos românticos do "Vasquinho" de O Pátio das Cantigas ? E o ensaiador de um grupo de amadores teatrais de O Pai Tirano ? E do colonialista de humor reaccionário de O Costa de África ?
Perguntar-se-á, porque continua Vasco Santana tão presente em nós ? Ora, está bem de ver que, quase 50 anos após a sua morte, o público reconhece-o, divertindo-se com os seus personagens filmes no sossego do serão familiar e/ou na passagem pelo pequeno écran. Por vezes, igualmente, ainda ouve pela Rádio os divertidos diálogos que Aníbal Nazaré e Nelson Barros escreveram para a "Lélé", a fresca e deliciosa voz de Irene Velez (1914-2004), para o "Zéquinha", o fabuloso Vasco Santana, para "aquela santa", Maria Matos (1890-1952), actriz que encheu e marcou os teatros por onde passou.
Vasco Santana foi muito querido pelo público. O seu talento e extraordinária comunicabilidade bastavam para lhe garantir os êxitos, permitindo que as peças e os filmes se mantivessem em cartaz durante meses a fio.