domingo, 21 de fevereiro de 2016

A lenda das duas chaves



"A lenda das duas chaves"

"No tempo que reinava o imperador Tito Flávio Vespasiano, as legiões romanas chegaram triunfantes à Ibèria, atravessando as regiões da Galiza e de Trás-os- Montes. Porque a terra era boa, fixaram-se nesta última província, começando a construir estradas e pontes.
Ora , tendo os romanos uma autêntica devoção pela água, grande foi a sua alegria quando descobriram “águas quentes jorrando da terra”.
Construíram logo aquedutos e um grande tanque onde se iam banhar, conseguindo curas fantásticas por intermédio dessas águas medicinais. Tal foi a sua fama, que chamaram à cidade ali construída “ Aquae Flaviae” ( nome que os romanos deram à vila de águas que produziam curas maravilhosas, aludindo à proficiência das suas águas e à família dos Flávios).
Tão progressiva se tornou, que o próprio imperador Tito Vespasiano, colocou ai como procurador, um seu primo, o jovem Décio Flávio, então comandante da Legião Sétima.
Certo dia, o cônsul Cornelio Máximo, recebeu em Roma uma mensagem do jovem Décio Flávio, e achou por bem consultar sua filha Lúcia. O cônsul apresentou a sua filha uma caixa forrada de seda e contendo duas chaves de ouro, que simbolizavam saúde e amor.
Décio, na sua mensagem oferece um lugar em Aquae Flaviae, para que Lúcia tenha possibilidade de tomar os banhos dessas águas extraordinárias e encontre a cura para os seus males (pois estava cheia de feridas na cara e mãos). Alguns meses passaram, obtida a necessária licença do Imperador Vespesiano .
Cornélio Maximo seguiu com sua filha para a então famosa Aquae Flaviae, uma das mais florescentes cidades do Império, na Península.
Duas semanas depois de chegarem e de tratamento já se notavam melhoras em Lúcia.
Agradeceu a Décio Flávio aquela caixa tão bonita forrada de seda e contendo duas chaves de ouro. O jovem romano acariciou os cabelos da sua amada e pediu-lhe:
-“Lúcia, guarda essas duas chaves por toda a nossa vida”. "
Ela respondeu:” assim farei, e se possível for, que elas fiquem por toda a nossa eternidade, contando à gente vindoura o que pode um verdadeiro amor”.