sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Drama da humanidade!



São cerca de 4 mil os migrantes que ocupam agora a chamada “Selva” situada a este de Calais.
O governo francês anunciou a obrigatoriedade de saída de um milhar de migrantes, sem esconder que recorrerá à força para viabilizar o plano de desmantelamento da zona sul da “Selva”, cerca de 50% da área total, correspondente a 7 hectares.
Numa carta aberta a Bernard Cazeneuve, ministro do Interior, oito organizações de ajuda humanitária manifestaram a sua “profunda oposição” ao plano, que não se faz acompanhar, dizem, de “verdadeiras soluções alternativas”.
Os números dos migrantes envolvidos no desmantelamento também diverge: o departamento de Pas-de-Calais fala de cerca de 800 pessoas, as associações humanitárias referem 2 000, das quais muitas são crianças desacompanhadas” .
As autoridades locais, por seu turno, não hesitam em reafirmar a impossibilidade de gestão desta massa humana, sem levar por diante o plano de demolição.
A alternativa oferecida pelo governo passa pela escolha entre o “Centro de Acolhimento Provisório:https://renverse.ch/Calais-Le-camp-de-containers-a-ete-construit-508?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter” (CAP) aberto em Janeiro na parte norte do campo e capaz de acolher 1500 pessoas em contentores preparados ou diferentes Centros de Acolhimento e de Orientação (CAO) criados noutros pontos de França.
As condições do CAP são postas em causa por quem se voluntaria no terreno, como Maya Konforti: “Disseram às pessoas para se realojarem nos contentores, onde há uma cama quente, mas só há isso mesmo. Não se pode fazer uma chávena de chá. Não há nada, não há locais comunitários, para vida social, não há escolas, não há igreja, não há mesquita. Não há absolutamente nada.”
O novo campo tem electricidade, mas, para os migrantes, a resistência à mudança cresce também com o anúncio da implementação de medidas securitárias rígidas.
O Reino Unido continua a ser a terra desejada e, defendem as organizações humanitárias, o que se desenha agora com a demolição e o realocamento é a falta absoluta de condições de permanência aliado ao controlo rigoroso dos migrantes e não um plano de desmantelamento progressivo, bem estruturado e que os salvaguarde. Quanto aos Centros de Acolhimento e Orientação noutros pontos de França, falam em improvisação e em falta de resposta total aos objectivos para que foram criadas.
Uma das maiores preocupações das organizações assistencialistas passa pelas crianças que vivem na “Selva”, muitas delas desacompanhadas, e pelo desaparecimento que se vai verificando à medida que os refugiados pegam no que ainda lhes resta e partem.
“O salto para o Reino Unido:http://elpais.com/elpais/2016/01/28/planeta_futuro/1453996214_796662.html” é um cenário constante, e todas as vias são tentadas, com o desespero a aumentar face ao prazo apontado para o desmantelamento.
Calais assistiu aos primeiros campos improvisados para refugiados em 2002 e às sucessivas demolições pelas autoridades francesas. A “Selva”, contudo, parece resistir à erradicação.