sábado, 11 de agosto de 2018

A 11 de Agosto de 1578, morreu Pedro Nunes

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O mais importante matemático da história portuguesa viveu na época dos Descobrimentos. Pedro Nunes foi cosmógrafo do reino, professor de infantes, autor de tratados científicos e criador de instrumentos de navegação. Como o nónio, que apresentamos aqui.
No século XVI, no auge da expansão marítima, a arte de navegar exigia pilotos experientes e cosmógrafos brilhantes. Desenhar mapas precisos e completos, conhecer ventos e as correntes dos oceanos, estudar o movimento dos astros ou calcular latitudes a qualquer hora do dia, eram desafios que os homens dos mares e os homens da ciência, apesar de nem sempre estarem de acordo, enfrentavam juntos. Pedro Nunes (1502-1578) foi o matemático português que solucionou alguns problemas e impôs o seu génio na Europa do Renascimento.
Com estudos universitários feitos em Lisboa e Salamanca, Pedro Nunes era um jovem brilhante formado em medicina, com um atividade multidisciplinar repartida entre a cosmografia e a astronomia, a álgebra e a geometria. Não será por isso de admirar que aos 27 anos fosse nomeado cosmógrafo do rei D. João III e tutor dos príncipes D. Luís e D. Henrique. Em 1547 foi ele o primeiro cosmógrafo-mor, cargo público que voltaria a desempenhar a pedido de D. Sebastião.
Quando foi viver para Coimbra, onde leccionou matemática até aos 60 anos, já a fama de Pedro Nunes no mundo científico estava consolidada em vários estudos e tratados originais. A sua primeira grande invenção terá sido a curva loxodrómica, «a curva que o navio descreve navegando com o mesmo rumo, isto é, mantendo constante o ângulo da direção da proa com o ângulo verdadeiro». Esta curva de rumo foi aplicada por Mercator na cartografia e teve um grande impacto na navegação marítima.
Outra das suas descobertas, de importância maior para a astronomia e para a geometria, está de
scrita na obra “De Crepusculis”, publicada em 1542. Aqui, Pedro Nunes ocupa-se do fenómeno da variação e duração dos crepúsculos, através da meditação, da investigação e da demonstração.
Mas é certo que a criação que mais notabilizou este matemático nascido nas margens do Sado, em Alcácer do Sal, presume-se com origens judaicas, foi a conceção do nónio. É este instrumento de precisão que Henrique Leitão, historiador de ciência, nos apresenta no Museu de Marinha.