sexta-feira, 19 de junho de 2015

19 de Junho de 2015 - Dia do Ardina






Ó minha mãe, minha mãe,

Ó minha mãe, minha amada,

Quem tem uma mãe, tem tudo,

Quem não tem mãe — não tem nada!

O ardinita, o João,

Levantou-se muito cedo

Porque tinha que estar cedo

À porta da redacção.

Trincou um naco de pão

Que lhe soube muito bem;

Antes de partir, porém,

Foi-se à mãe adormecida

Dizendo: — Cá vou à vida

Ó minha mãe, minha mãe!...


A mãe, com todo o carinho."

Deitou-lhe a benção, beijou-o

E, depois, aconselhou-o:

— «Sempre muito juizinho,

Não te enganes no caminho,

Não fumes, não jogues nada...

— «Pode ficar descansada!...

Disse ele, p'ra a iludir,

E tornou-se a despedir:

—Ó minha mãe, minha amada!...


Cruzou toda a Madragoa

Apressado, a assobiar

Uma marcha popular

Do São João em Lisboa.

Nisto pensou: — «É tão ,boa

A minha mãe!... E contudo

Como a engano, a iludo

E lhe minto, coitadinha!...

«Gramo» tanto essa velhinha!

Quem tem uma mãe, tem tudo!...


Neste calão repelente

Da gíria da malandragem,

Havia um quê de homenagem

Na sua boca inocente.

Chegou ao jornal, contente,

Sempre de alma levantada,

Mas, como o calão lhe agrada

Repete: - «Como eu a «gramo»!...

— Tanto lhe quero, tanto a amo,

Quem não tem mãe, não tem nada!...