Previsão do Tempo

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Minha História Chico Buarque


Minha História Chico Buarque
Ele vinha sem muita conversa, sem muito explicar Eu só sei que falava e cheirava e gostava de mar Sei que tinha tatuagem no braço e dourado no dente E minha mãe se entregou a esse homem perdidamente, laiá, laiá, laiá, laiá Ele assim como veio partiu não se sabe prá onde E deixou minha mãe com o olhar cada dia mais longe Esperando, parada, pregada na pedra do porto Com seu único velho vestido, cada dia mais curto, laiá, laiá, laiá, laiá Quando enfim eu nasci, minha mãe embrulhou-me num manto Me vestiu como se eu fosse assim uma espécie de santo Mas por não se lembrar de acalantos, a pobre mulher Me ninava cantando cantigas de cabaré, laiá, laiá, laiá, laiá Minha mãe não tardou alertar toda a vizinhança A mostrar que ali estava bem mais que uma simples criança E não sei bem se por ironia ou se por amor Resolveu me chamar com o nome do Nosso Senhor, laiá, laiá, laiá, laiá Minha história e esse nome que ainda carrego comigo Quando vou bar em bar, viro a mesa, berro, bebo e brigo Os ladrões e as amantes, meus colegas de copo e de cruz Me conhecem só pelo meu nome de menino Jesus, laiá, laiá Os ladrões e as amantes, meus colegas de copo e de cruz Me conhecem só pelo meu nome de menino Jesus, laiá, laiá, laiá, laiá

segunda-feira, 5 de abril de 2021

A 3 de abril de 1946, tenente-general japonês Masaharu Homma é executado nas Filipinas por liderar a Marcha da Morte de Bataan.

 






O tenente-general japonês Masaharu Homma é executado nas Filipinas por liderar a Marcha da Morte de Bataan.
Marcha da Morte de Bataan é o nome como ficou conhecido um dos maiores crimes de guerra da Segunda Guerra Mundial, ocorrido no início da Guerra do Pacífico, contra prisioneiros norte-americanos e filipinos derrotados pelas forças japonesas após a Batalha de Bataan, nas Filipinas, ocorrida entre dezembro de 1941 e abril de 1942.
Em 9 de abril de 1942, cerca de 75 000 soldados norte-americanos e filipinos renderam-se em Bataan ao 14.° Exército japonês, formado por 50 000 soldados e comandado pelo tenente-general Masaharu Homma.
Como o número de tropas japonesas superava o das tropas norte-americanas e filipinas, o Japão esperava que a batalha perdurasse mais tempo.
Mas tal não veio a verificar-se.
As tropas japonesas admitiam que o número de prisioneiros de guerra rendidos fosse de cerca de 25 000 e não estavam preparados nem em estrutura nem em contingente para fiscalizar o elevado número de soldados capturados.
O planeamento da transferência dos prisioneiros de Bataan para o campo de prisioneiros O’Donell, na província vizinha de Tarlac, ficou a cargo dos oficiais do Exército de do tenente-general Homma, enquanto as tropas japonesas preparavam o assalto final às forças que defendiam o resto das Filipinas.
A primeira fase desta operação consistia em juntar todos os prisioneiros nas Montanhas Mariveles até à capital da península de Bataan, Balanga City, num percurso a pé de cerca de 30 quilómetros, que se esperava que ficasse concluído num dia.
Dali, os prisioneiros seriam transportados em 200 camiões por mais 50 quilómetros até à estação de San Fernando, de onde seriam transportados em comboios por mais 50 quilómetros até à vila de Capas, a 8 quilómetros do destino final, para onde marchariam a pé.
Hospitais de campanha e pontos de descanso deveriam ser preparados ao longo do percurso.
Apesar de o tenente-general Homma esperar apenas 25 000 prisioneiros após a rendição de Bataan, ficou surpreendido com o numero elevadíssimo de mais de 75 000 soldados (66 000 filipinos e 11 000 norte-americanos) esfomeados, sedentos e atacados pela malária.
Durante a batalha, apenas 27 000 destes homens estavam registados como “combatentes efetivos” e três quartos deles estavam infetados com malária.
Em resultado da situação encontrada, os japoneses tiveram grandes dificuldades em transportá-los desde o início.
A etapa inicial de 30 quilómetros a pé até Balanga City, planeada para ser realizada num dia, passou para três dias.
A distribuição de alimentos era escassa e a maior parte dos prisioneiros nem chegou a comer.
Quatro mil feridos e doentes tiveram de ser deixados para trás a fim de serem tratados em Bataan pelos japoneses por não terem condições de caminhar.
A diminuição de provisões e de homens entre os invasores, que nesse momento ainda lutavam para tomar Corregedor, causou irritação entre os soldados encarregados da guarda dos prisioneiros e muitos dos prisioneiros conseguiram fugir, pois, pela limitação de recursos humanos, um máximo de quatro guardas armados acompanhava cada grupo de 300 prisioneiros.
Ao chegar à capital Balanga, ficou claro que os camiões não poderiam transportar nem metade do número de prisioneiros e aqueles que não conseguiram lugar nos veículos tiveram de marchar a pé por mais 50 quilómetros até à estação de San Fernando, sob um sol escaldante, sem zonas de sombra e caminhos de terra batida e por vezes também seguindo percursos em estradas alcatroadas.
A poeira fina que se levantava no ar causava dificuldade em respirar e de ver e o asfalto quente queimava os pés dos prisioneiros descalços.
Os prisioneiros que se recusavam a abandonar os seus pertences eram os primeiros a tombar de exaustão.
Os últimos 9 quilómetros de marcha forçada até San Fernando foram os mais duros que os prisioneiros tiveram de enfrentar.
Aqueles que conseguiram chegar à estação de comboios foram trancados em prisões improvisadas onde finalmente tiveram direito a comida, água e a alguns cuidados médicos.
Em seguida, foram todos colocados dentro de comboios apertados que os levou até Canpas.
Durante a viagem de três horas, centenas de prisioneiros vomitaram e sofreram ataques de disenteria e muitos sufocaram fatalmente no seu próprio vómito.
Os que chegaram a Capas vivos ainda foram obrigados a marchar por 12 quilómetros até ao campo O'Donnell.
Durante nove dias, a maior parte dos prisioneiros filipinos e americanos doentes e feridos foram forçados a marchar mais de dois terços da distância de 150 quilómetros entre Bataan e o campo O'Donnell.
Aqueles que tiveram a sorte de serem transportados nos camiões até San Fernando, tiveram de marchar 40 quilómetros até ao campo.
Durante o percurso os prisioneiros eram frequentemente espancados e negavam-lhes a comida e a água que lhes haviam prometido.
Aqueles que ficavam para trás eram executados ou deixados à sua sorte onde acabavam por morrer.
A berma das estradas começou a encher-se corpos mortos ou moribundos gritando e implorando por auxílio.
O número de prisioneiros em marcha foi diminuindo pelo calor, malária, disenteria e desidratação.
Entretanto, os castigos infligidos aos prisioneiros não eram, na maioria, provenientes de japoneses mas sim de coreanos alistados no Exército Imperial, o Japão ocupava a Coreia há mais de trinta anos, que por não terem a confiança dos japoneses para participarem no combate, eram colocados na função de guardas de prisioneiros.
No fim da Marcha da Morte, cerca de 54 000 prisioneiros chegaram ao destino vivos.
A contagem dos mortos é difícil de ser estabelecida com precisão porque milhares deles conseguiram escapar dos guardas durante a marcha, muitos acabaram por morrer nas florestas de Luzon.
Noutros casos, raros, os prisioneiros acabaram por ser libertados nas matas pelos seus captores por absoluta impossibilidade de cuidar de todos.
Num total provável, cerca de 650 norte-americanos e 10 000 filipinos morreram antes de chegar ao campo O'Donnell.
Após a rendição do Japão em 2 de setembro de 1945, o tenente-general Homma foi conduzido ao Comissariado Aliado de Crimes de Guerra, em Manila, para responder pelos seus atos, não apenas as atrocidades na Marcha da Morte mas também as que se seguiram no campo O'Donnell.
O tenente-general, que tinha estado completamente absorvido nos seus esforços para tomar Corregedor e acabar por conquistar as Filipinas, acabou por não se dar conta e até desconhecer, segundo ele, os efeitos malévolos desta Marcha da Morte, tendo sido só informado dos detalhes do morticínio dois meses após o ocorrido.
O seu ato de negligência custou-lhe a vida.
Julgado e condenado por crime de guerra, foi executado por um pelotão de fuzilamento nos arredores de Manila em 3 de abril de 1946.
Fontes: História da Segunda Guerra Mundial; Enciclopédia; Outras.
1.ª imagem: Prisioneiros carregam os corpos de seus companheiros caídos durante a Marcha.
2.ª imagem: Prisioneiros aguardam o começo da Marcha.
3.ª imagem:Prisioneiros americanos durante a Marcha da Morte.
4.ª imagem: O tenente-general Homma na prisão aguardando o julgamento.






É sempre bom recordar, os anos passam a canção fica.


 

Nada melhor que uma bela melodia!...


 

Para colher é preciso semear!


 

Parecem desenhos animados.


 

Treze truques para descascar.


 

My way a várias vozes.


 

Primeiro side-car.


 

Talento Chinês.

 


Um belo fado de Coimbra para começar o dia e a semana.


 

terça-feira, 30 de março de 2021

Logo que possa viajar, já sei para onde ir!...


 

Este é o livro mais antigo da língua portuguesa e tem 530 anos.

 













É o livro impresso mais antigo escrito em português e foi produzido em Chaves, no Norte de Portugal. Uma verdadeira joia da língua portuguesa.
Ao contrário do que muitos possam pensar, o primeiro livro impresso em Portugal na língua portuguesa não foi produzido em grandes cidades como Lisboa, Porto, Braga ou Coimbra. O livro impresso mais antigo em português foi produzido em Chaves, uma pequena cidade no norte de Portugal.
Para quem desconhece a história desta pequena cidade, será difícil perceber as razões pelas quais terá sido aqui que o primeiro livro português foi impresso. Mas Chaves, na altura, era um centro cultural de relevo, muito por causa de ser uma cidade por onde passavam muitos dos peregrinos que faziam o Caminho de Santiago. Chaves possuía, também, uma escola de cirurgia (uma das primeiras de Portugal), o que atesta a dimensão e a importância desta pequena cidade transmontana.
A impressora inventada por Gutemberg trouxe o surgimento da técnica conhecida como “tipografia”. O primeiro livro impresso tipograficamente foi a Bíblia, em latim. A confiabilidade no texto e a capacidade do livro atender à demanda de um público cada vez maior tornou-se dependente da tipografia.
Em Portugal, a novidade chegou no início do reinado de D. João II, que governou o país de 1481 até sua morte em 1495. O primeiro livro impresso em Portugal foi o Pentateuco (os cinco primeiros livros do Velho Testamento, da Bíblia), na cidade de Faro, mas com caracteres hebraicos. Não se sabe com exatidão qual foi o primeiro livro realmente publicado em língua portuguesa, mas muitos estudiosos consideram que tal livro tenha sido “O Sacramental”, de Clemente Sánchez de Vercial.
Descubra o livro mais antigo da língua portuguesa. como informações concretas sobre “O Sacramental” é que sua primeira edição foi impressa em 1488 na cidade de Chaves, mas o autor não era português.
Era um padre de León, uma província da Espanha. O Sacramental foi escrito por Clemente Sánchez de Vercial, um clérigo leonês que viveu entre o século XIV e o XV e que escreveu várias obras religiosas e moralizantes. A primeira impressão portuguesa terá ocorrido em Chaves em 1488. O Sacramental foi um dos livros mais lidos durante o século XV, tendo sido proibido pela Inquisição no século XVI e consequentemente queimado. Teve várias edições impressas em língua portuguesa.
O Sacramental de Clemente Sánchez de Vercial, obra pastoral redigida entre 1421 e 1425 em língua castelhana, depois dos livros destinados ao ofício religioso, foi o livro mais impresso na Península Ibérica, desde a introdução da imprensa até meados do século XVI. A primeira impressão portuguesa terá ocorrido em Chaves em 1488, mas não existem provas concretas que suportem esta tese. O incunábulo d'O Sacramental impresso em Chaves é considerado por alguns «o primeiro livro em língua portuguesa impresso em Portugal».
Segundo Vindel, teria sido o primeiro livro impresso em Espanha; cerca de 1470 em Sevilha. Foi traduzido para o catalão – Lo sagramental – em Lérida, 1495. Conhecem-se treze edições em castelhano, uma em catalão e quatro em português. Das edições em português, duas foram impressas no século XV (Chaves, 1488 (?); e Braga (?), ca. 1494-1500 e duas no século XVI (Lisboa, 1502; e Braga, 1539).
O Sacramental é um depositário da forma como deve viver o homem medieval, tratando a alimentação, as relações familiares, as relações sociais, a relação com Deus, o trabalho, o descanso, a saúde, a doença e a sexualidade, o que faz dele um documento indispensável para o estudo da sociedade medieval portuguesa.
Assim começa o livro:
«E por quanto por nossos pecados no tempo de agora muitos sacerdotes que hão curas de almas não somente são ignorantes para instruir e ensinar a fé e crença e as outras cousas que pertencem à nossa salvação, mas ainda não sabem o que todo bom cristão deve saber nem são instruídos nem ensinados em a fé cristã segundo deviam, e o que é mais perigoso e danoso, alguns não sabem nem entendem as Escrituras que cada dia hão-de ler e trautar.
E porende, eu Clemente Sánchez de Vercial, bacharel em leis, arcediago de Valdeiras em a igreja de León, ainda que pecador e indigno, propus de trabalhar de fazer uma breve compilação das cousas que necessárias são aos sacerdotes que hão curas de almas, confiando da misericórdia de Deus.»











segunda-feira, 22 de março de 2021

A 22 de março de 1312, foi decretada a extinção da Ordem religiosa dos Templários.

 


EXTINÇÃO DA ORDEM DOS TEMPLÁRIOS
A 22 de março de 1312, o Papa Clemente V decreta a bula "Vox in excelso" na qual dissolvia formalmente a Ordem dos Templários, remover o apoio papal à mesma e revogar todos os privilégios que lhe tinham sido atribuídos por papas anteriores.
Em 1314, era morto na fogueira o último Grão-Mestre da Ordem do Templo, Jacques de Molay.
Em Portugal, os bens da ordem seriam transferidos para a Ordem de Cristo por iniciativa do rei D. Dinis.


22 de Março de 1911, é fundada a Universidade do Porto

 






A Universidade do Porto é constituída formalmente em 22 de Março de 1911, logo após a implantação da República em Portugal. As suas raízes, contudo, remontam a 1762, com a criação da Aula de Náutica por D. José I. Esta escola e as suas sucessoras (Aula de Debuxo e Desenho, criada em 1779; Academia Real da Marinha e Comércio, em 1803; Academia Politécnica, em 1837) serão responsáveis pela formação dos quadros portuenses ao longo do séc. XVIII e XIX, dando resposta às necessidades de pessoal qualificado na área naval, no comércio, na indústria e nas artes.

Em 1825 é fundada a primeiro escola médica do Porto, a Real Escola de Cirurgia, que, transformada em 1836 em Escola Médico-Cirúrgica, será o outro vetor de formação da U.Porto.
Paralelamente, a Aula de Debuxo e Desenho dará origem a outras escolas – Academia Portuense de Belas Artes (1836), depois Escola Portuense de Belas Artes (1881), finalmente Escola Superior de Belas Artes do Porto (1950). Esta última transformar-se-á, ao longo do último quartel do séc. XX, nas atuais faculdades de Arquitectura e de Belas Artes da U.Porto.
Se, numa fase inicial, a U.Porto surge estruturada em duas faculdades (Ciências e Medicina), assistiremos ao longo de todo o séc. XX a uma diversificação de saberes e autonomização de escolas. Ainda durante a 1.ª República, surgirá em 1915 a Faculdade Técnica (rebatizada em 1926 de Faculdade de Engenharia), em 1919 a Faculdade de Letras, em 1921 a Faculdade de Farmácia.
O crescimento da U.Porto durante o regime autoritário nascido do movimento militar de 28 de Maio de 1926 será mitigado: a Faculdade de Letras é extinta em 1928, para ser restaurada em 1961; só a Faculdade de Economia será verdadeiramente criada de raiz neste período, em 1953.
Após a revolução de Abril de 1974, e até ao fim do século, a Universidade do Porto entrará finalmente em expansão. Às seis faculdades existentes juntaram-se mais oito: Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (1975), Faculdade de Desporto (1975), Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação (1977), Faculdade de Arquitectura (1979), Faculdade de Medicina Dentária (1989), Faculdade de Ciências da Nutrição e da Alimentação (1992), Faculdade de Belas Artes (1992) e Faculdade de Direito (1994). Hoje, a Universidade do Porto conta com catorze faculdades e uma escola de pós-graduação, a Escola de Gestão do Porto, criada em 1988 e cuja designação passou a ser Escola de Negócios da Universidade do Porto a partir de 2008.



Cem anos depois voltamos ao mesmo!

 


E as pessoas ficaram em casa
a ler livros e ouvir
e descansaram e se exercitaram
e fizeram arte e jogaram
e aprenderam novas maneiras de ser
e pararam
e ouviram mais profundamente
alguém estava meditando
alguém estava orando
alguém estava dançando
alguém conheceu sua sombra
e as pessoas começaram a pensar de forma diferente
e as pessoas se curaram.
E na ausência de pessoas que viviam
de maneiras ignorantes
perigosas
sem sentido e sem coração,
a terra também começou a curar
e quando o perigo acabou
e as pessoas se encontraram
eles sofreram pelos mortos
e fizeram novas escolhas
e eles sonharam com novas visões
e criaram novas formas de vida
e curaram completamente a terra
assim como eles foram curados.
A foto mostra duas mulheres caminhando durante os dias da pandemia de gripe espanhola no Reino Unido, ano de 1919.
Kitty O'Meara


segunda-feira, 15 de março de 2021

Estudantina Universitária de Coimbra - Meia Noite Ao Luar


Serenata
À Meia Noite ao Luar
Estudantina Universitária de Coimbra
À meia-noite, ao luar,
Vai pelas ruas, a cantar,
Um boémio sonhador;
E a recatada donzela
De mansinho abre a janela
À doce canção do amor.
Ai como é belo,
À luz da Lua,
Ouvir-se um fado
Em plena rua,
De um cantador,
Apaixonado,
Trinando as cordas
A cantar o fado.
Dão as doze badaladas
E ao ouvir-se as guitarradas
Surge o luar que é de prata;
E a recatada donzela
De mansinho abre a janela
Vem ouvir a serenata.

15 de Março de 44 a. C. : Julio César é assassinado.

 



Nasceu no ano 100 a. C. e morreu, assassinado, a 15 de Março do ano 44 a. C., ao cabo de uma carreira que fez dele o primeiro homem político de Roma. Dois anos após a sua morte ser-lhe-ia atribuído o estatuto de deus do povo romano.A sua entrada na vida pública foi precedida por vários anos de instabilidade em Roma. O jovem César começou por se dedicar à vida militar, que sempre lhe serviria de suporte às ambições políticas. Alcançou, depois, posições de menor importância na magistratura, até que, em 69 a. C., foi eleito questor. O cargo trouxe-o à Península Ibérica, e mesmo a território que é hoje em dia português. Mais tarde, em 62 a. C., foi eleito pretor, tendo de seguida ocupado o cargo de governador, mais uma vez, na Ibéria.Em 59, César foi eleito cônsul. Constituiu então, com Crasso e Pompeu, um triunvirato que duraria até ao ano de 56 a. C. Com tudo isto, a sua ascensão política era evidente. No plano militar, também, não deixavam de ser notadas as suas campanhas na Europa central e ocidental. O sucesso talvez mais significativo consistiu na submissão total da Gália na década de 50, com a capitulação do chefe gaulês Vercingetórix. Entretanto, em perigo de perder a sua posição devido a intrigas de senadores, César atravessa com as suas tropas o Rubicão, entrando em território italiano e dando início a uma guerra civil contra Pompeu. Nesta fase, a intenção de César era, não apenas salvaguardar a sua carreira política e até mesmo a sua segurança pessoal, mas também pôr travão ao desgoverno da Roma dominada pelas rivalidades e intrigas dos patrícios. A guerra, que se estendeu de 49 a 45 a. C., representaria, deste ponto de vista, o preço a pagar pela sobrevivência secular do império. Vitorioso, César, com o título de ditador de Roma, teve então a oportunidade que havia muito desejava para implementar diversas reformas importantes: concedeu a cidadania romana a certos povos que dela não usufruíam; reorganizou as estruturas administrativas locais do império; reformulou o calendário (uma medida de que ainda hoje se sentem os efeitos); alterou a constituição do Senado de forma a retirar poder à velha aristocracia. Na verdade, terá sido o seu crónico desprezo, bem expresso na sua forma autocrática de governar, pelos privilégios tradicionais da aristocracia patrícia que terá levado ao seu assassinato no Senado.
No dia 15 de março de 44 a.C., foi assassinado com 23 facadas, nas escadarias do Senado, por um grupo de 60 senadores, liderados por Marcus Julius Brutus, seu filho adoptivo, e Caio Cássio. Júlio César ainda se defendeu, cobrindo-se com uma toga, até ver Brutus, quando então teria dito sua última famosa frase: "Até tu, Brutus".
Trata-se do mais conhecido atentado político da Antiguidade, descrito por Caio Suetónio Tranquilo (70 d.C.-140 d.C.), na biografia De vita Caesarum (Da vida dos Césares). "César" foi o título dos imperadores romanos de Augusto (63 a.C.-14 d.C.) a Adriano (76 d.C.-138 d.C.). Caio Júlio César foi morto por ter desprezado a opinião dos seus adversários. Supõe-se que os seus assassinos não tinham apenas motivos políticos, como também agiram por inveja e orgulho ferido. Matar um tirano, na época, não era considerado crime. Não há, porém, consenso entre os historiadores de que Júlio César tenha sido um tirano. Muitos dos seus planos não foram concretizados, mas ele deu uma orientação completamente nova ao desenvolvimento do Império Romano.


domingo, 14 de março de 2021

Alfredo Pereira Gomes, nasceu em Espinho, a 18 de Janeiro de 1919.

 



ALFREDO PEREIRA GOMES (1919 – 2006)

Matemático antifascista de grande prestígio. Professor universitário, foi um dos oposicionistas ao regime ditatorial do Estado Novo expulsos do Ensino por Salazar. Personalidade forte e determinada, com predisposição para aceitar desafios, em 1947 partiu a caminho do exílio e, no Brasil, destacou-se no mundo académico. Só regressou a Portugal já na década de 70. Fez parte de uma geração de grandes vultos da intelectualidade portuguesa, que se opuseram corajosamente ao regime. Integrou um grupo de matemáticos famosos, que adquiriram prestígio internacional, mas só puderam regressar à Pátria após a morte do ditador.
.
1. Nasceu em Espinho, a 18 de Janeiro de 1919 e faleceu no dia 29 de Novembro de 2006, no hospital Curry Cabral em Lisboa. Era irmão dos escritores Soeiro Pereira Gomes e Alice Gomes. Fez os estudos secundários em Espinho. Concluiu a licenciatura na Universidade do Porto, e doutorou-se também nessa Universidade, em Julho de 1946. Ao contrário da maior parte dos matemáticos portugueses de seu tempo, fez o doutoramento no país, na Universidade do Porto (1). Iniciou a carreira de professor como “professor assistente”, mas em Outubro viu a sua carreira académica cortada, afastado da Universidade, por decisão assinada pelo presidente do Conselho de Ministros, Oliveira Salazar [evocando o disposto no decreto-lei nº 25317]. De facto, em 1947, ocorre a expulsão de diversos intelectuais das universidades portuguesas – entre os quais, quase toda uma geração de matemáticos – um afastamento compulsivo orquestrado pelo regime salazarista (2).
Impedido de trabalhar, Alfredo Pereira Gomes viu-se obrigado a partir para França, onde permaneceu até 1953.
.
2. A convite do primeiro Reitor da então Universidade do Recife, Chega ao Brasil, onde começa por dar aulas de Cálculo Diferencial e Integral na Faculdade de Engenharia [famosa pelos vários expoentes das Ciências Exactas daquele tempo] e no Departamento de Matemática da Faculdade de Filosofia. Em breve iria ser o primeiro matemático a pertencer aos quadros da Universidade do Recife. Logo que o Instituto de Física Matemática (IFM) é fundado, Alfredo Gomes integra, com Zaluar Nunes, a secção de Matemática, e ambos desenvolvem um notável trabalho de permuta internacional de saberes e de produção documental. O IFM vai receber matemáticos de renome [entre eles, Laurent Schwartz e Alexander Grothendieck], e acolher outros matemáticos antifascistas portugueses, também impedidos de prosseguir as suas carreiras no país. Alfredo Pereira Gomes é responsável pela ida para o Recife do grupo que iria marcar aquela Universidade e deixar um legado de realizações até hoje recordadas. Ao longo do tempo, chegaram: M. Zaluar Nunes (1953), José Morgado (1960) e Ruy Luís Gomes (1962), [Aniceto Monteiro, outro matemático excepcional, exilara-se no Brasil em 1945, mas seguiu para a Argentina] (3). Alfredo P Gomes esteve na base do que veio a constituir-se como uma escola de matemáticos, no Estado de Pernambuco - um grupo de notáveis que ficou conhecido por «A Escola Portuguesa do Recife», que iria ser reconhecida e repercutir-se em outros Centros matemáticos do Brasil, a ponto de ser alvo de uma homenagem em 1997, durante o II encontro Luso-Brasileiro de História da Matemática, em São Paulo.
No Brasil, iriam deixar uma obra exemplar, que continua a ser referida, e Alfredo Pereira Gomes recordado pelos seus pares como um cientista pioneiro.
.
No início da década de 1960, aceitou um convite do reitor da Faculdade de Ciências da Universidade de Nancy, para ali ocupar um lugar de professor durante um ano, aproveitando o seu ano sabático. Porém, a instauração da ditadura militar no Brasil determinou que permanecesse em França, como professor da Universidade de Nancy, por mais tempo do que o inicialmente previsto.
Sempre profundamente interessado pela evolução da situação política em Portugal, acompanha a acção da Oposição, a par e passo, com a solidariedade possível. Por outro lado, apesar do exílio, contribui para dinamizar a vida científica em Portugal.
.
Em 1972, aproveitando a abertura proporcionada por Marcelo Caetano, regressou a Portugal e, durante 17 anos, foi Professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Em 1977 fez parte da Comissão Instaladora da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), [reactivando a SPA fundada em 1940 e não legalizada]; presidiu à Mesa da Assembleia Geral, que iria ser responsável pela reabilitação da Portugaliæ Mathematica, a revista de Matemática, de que foi director até 1996.
Com uma vida dedicada à Matemática e membro activo da SPM, é nomeado sócio honorário da SPM, em 1989.
3. Nos últimos anos de vida, Alfredo Pereira Gomes tinha limitações de mobilidade e de saúde, que o impediam de estar presente em encontros matemáticos e sociais. No momento da sua morte, segundo foi referido na Gazeta de Matemática [Julho de 2007], por uma sua colaboradora da Faculdade, ele desaparecera “perante o silêncio e o esquecimento” de 34 anos de actividade científica e docente, 17 dos quais como Professor Catedrático da FCUL.
Por ocasião da sua morte foram publicados algumas notas biográficas, centradas na sua actividade científica, de que destacamos o comunicado de imprensa da Sociedade Portuguesa de Matemática. Muita documentação, correspondência e fotos relativas a Alfredo Pereira Gomes encontra-se no blogue Ruy Luis Gomes de autoria de Jorge Rezende. O Departamento de Matemática da Universidade Federal de Pernambuco tem em linha um facsimile do manuscrito da “Teoria das funções” de Alfredo Pereira Gomes. Uma nota no blogue Nós-sela inclui fotos de um dos últimos convívios de matemáticos em que participou.
No centenário do seu nascimento (18 janeiro 2019) realizou-se uma «Sessão de homenagem a Alfredo Pereira Gomes», na FCUL, no Museu Nacional de História Natural e da Ciência.
Notas:
.
.
(1) Em 2005, em entrevista à Sociedade Portuguesa de Matemática, relatou com orgulho o facto de José Sebastião e Silva, um dos maiores matemáticos daquela geração, ter dito que a sua tese – «Introdução ao estudo duma noção de funcional em espaços sem pontos» – havia sido a primeira, das realizadas em Portugal, a ter repercussão internacional.
.
(2) A 14 de Junho de 1947, o Conselho de Ministros, "certo da razão e seguro da sua força", demitiu e aposentou compulsivamente, "independentemente das penas aplicáveis pelos tribunais competentes, ou a impor em processo disciplinar", vários oficiais das forças armadas e numerosos professores e assistentes universitários: Mário Augusto da Silva, Augusto Celestino da Costa, Francisco Pulido Valente, Fernando Fonseca, João Cândido da Silva Oliveira, Adelino José da Costa, José Cascão Anciães, Carlos Torre da Assunção, Flávio Pinto Resende, António Ferreira de Macedo, Arnaldo Peres de Carvalho, Manuel Zaluar Nunes, João Remy Teixeira Freire, Andrée Crabée Rocha, Luís Dias Amado, Manuel Valadares, Amélio Marques da Silva, Armando Carlos Gilbert, João Lopes Raimundo, José Cardoso Morgado, Orlando Morbey Rodrigues.
.
(3) António Aniceto Monteiro viu-se obrigado a deixar Portugal e seguiu para o Brasil em 1945. Dali partiu para a Argentina, onde se fixou. Em 1972 é designado Professor Emérito da Universidad Nacional del Sur, sendo durante mais de 25 anos o único Professor Emérito nomeado por aquela Universidade. Regressou a Portugal em 1977, trabalhando cerca de dois anos como investigador do Instituto Nacional de Investigação Científica, no Centro de Matemática e Aplicações Fundamentais. Em 1978 foi distinguido com o Prémio Gulbenkian de Ciência. De volta à Argentina, faleceu em 1980.
.
Biografia da autoria de Helena Pato

quarta-feira, 10 de março de 2021

Como acordar antigamente a tempo e horas!...


Antes dos despertadores existirem, as pessoas usavam pregos fixados em velas para acordar.
Elas sabiam calcular o tempo de queima da vela e colocavam o prego na altura certa. A medida que a vela derretia, o prego caía, fazia barulho e acordava seu proprietário.